'É preciso investir em Polícia de Trânsito'
O promotor público Cássio Mattos Honorato, especializado em questões de trânsito, alerta que dados oficiais sobre mortes no trânsito sempre correm o risco de serem subdimensionados.
''Quando um óbito é computado, é necessário considerar: essa pessoa morreu no local do acidente? Morreu no hospital? Pouco tempo ou 48 horas depois? Dependendo desses fatores, a morte deixa de ser computada como uma ocorrência relacionada ao trânsito. Um estudo no Rio Grande do Sul apontou que o número de mortes no trânsito no Brasil pode ser até três vezes maior do que as 30, 35 mil por ano divulgadas pelo governo'', explica. ''Certa vez, eu estava em um congresso e um representante do Governo Federal ''puxou a orelha'' de um representante de um governo estadual, pelo aumento no número de mortes de trânsito naquele Estado. O outro rebateu que ao menos eles tinham estatísticas confiáveis'', relata o promotor.
Honorato aponta que, segundo as estatísticas oficiais, os únicos períodos na história recente em que o número de mortes no trânsito no Brasil diminuiu foram nas épocas de implantação do Código de Trânsito Brasileiro e da Lei Seca.
''O anuário do Ministério da Justiça aponta que no Estado de São Paulo o número de mortes no trânsito já supera o de homicídios dolosos. O Paraná está no mesmo caminho'', critica o promotor, que alerta para a necessidade de investir mais em fiscalização e policiamento de trânsito.
''Fala-se em UPP no Rio de Janeiro, em Unidade Paraná Seguro aqui. Muitas vezes, o pessoal quer investir em policiamento, cria uma guarda municipal, que não tem formação nem atribuição de policiamento de trânsito, e a Polícia Militar de Trânsito, que tem formação para isso, não trata dessas questões'', critica. ''Em municípios menores, o melhor é investir em policiamento de trânsito'', diz Honorato.
O promotor argumenta que, se os municípios menores sofrem com falta de efetivo policial, ''proporcionalmente, isso acontece também nas grandes cidades'', e que os índices de violência no trânsito acabam sendo reflexos do trabalho do gestor público em duas questões primordiais: qualidade do policiamento e educação de trânsito. ''O que é educação de trânsito? É existir uma faixa de pedestres e ela ser respeitada. Em Curitiba, por exemplo, a faixa é uma mera peça decorativa'', ironiza. (F.G.)





