`É o mesmo efetivo de 30 anos atrás´
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sábado, 27 de julho de 2013
Carolina Avansini<br> Reportagem Local 
O Instituto de Criminalística de Londrina é o que mais atende municípios no Paraná. São 86 cidades que demandam serviços dos 19 peritos da regional, mais 153 municípios das regiões de Umuarama e Maringá atendidos também pelo departamento de Balística Forense. A reportagem da FOLHA passou uma manhã acompanhando o trabalho dos profissionais e constatou que a estrutura física, os equipamentos disponíveis e a quantidade de peritos não são suficientes para dar conta do serviço. Para conseguir trabalhar, muitos peritos, inclusive, levaram móveis, computadores e outros equipamentos próprios para a sede do IC.
"É o mesmo efetivo de 30 anos atrás. O problema vem de outras décadas", afirma o diretor do IC de Londrina, Daniel Filipetto. Segundo ele, em 2006, durante todo ano, foram realizados 3.060 exames pelo instituto de Londrina. Em 2013, sete anos depois, apenas nos primeiros seis meses do ano foram realizados 3.182 exames, indicando que a demanda dobrou, apesar do efetivo ter continuado o mesmo. Segundo ele, o Governo do Estado autorizou abertura de concurso para contratação de novos peritos, o que considera fundamental diante do aumento da criminalidade. "Também conseguimos troca de viaturas e licitação das novas sedes do IC e do IML de Londrina", esclareceu.
No departamento de Balística Forense, os peritos Marili Aquaroni Correa Soares, Odete Marquini e Marco Antônio Otta dedicam-se ao exame de prestabilidade de armas de fogo, necessário para atestar se as armas encontradas nos locais de crime foram as mesmas utilizadas nos homicídios. São feitos exames de munição, armas de fogo e confronto balístico em um laboratório que os profissionais consideram "totalmente precário". O local onde são efetuados os disparos é escuro, baixo e não oferece segurança para o atirador, visto que as munições podem ricochetear. Além disso, o estado não fornece Equipamentos de Proteção Individual (EPI). Por isso, o protetor de ouvido, por exemplo, é utilizado apenas pelo auxiliar operacional José Cândido Ferreira, responsável pelos disparos. Zé, como é tratado pelos colegas, é o único auxiliar do IC de Londrina e, aos 68 anos, vai se aposentar no ano que vem.
O único microcomparador balístico é usado pelos três peritos para atender 239 municípios com exames de confronto balístico. Trata-se de um modelo analógico, o que torna o serviço moroso. "Não tínhamos condições de absorver a demanda de Maringá e Umuarama. O resultado é que vamos acabar atrasando a entrega de laudos. O perito tem que ter muito talento para driblar a falta de equipamentos", lamentam.
No departamento de Informática Forense, os peritos Francine Matias de Paula e Maurício Yorinori precisariam de dois anos apenas para dar conta de analisar os 116 microcomputadores represados. Eles rastreiam as máquinas em busca de arquivos significativos que ajudem a elucidar crimes. Os casos de pedofilia, segundo eles, têm aumentado e, por determinação legal, acabam sendo passados na frente de investigações sobre fraudes e outras contravenções. "Falta gente e equipamentos. A consequência é o atraso no trâmite dos inquéritos e dos processos", denunciam. Os computadores do caso Antissepsia, por exemplo, estão parados no IC de Londrina há dois anos.
Já as peritas Heloísa Oliveira Venturini, Simone Vasconcelos Santana e Gisele Rodrigues dos Santos Oliveira desdobram-se para dar conta do trabalho no Laboratório de Materiais Diversos, que entre objetos variados, é responsável por examinar as centenas de aparelhos celulares apreendidos pela polícia. "O equipamento Cellebrite, que usamos para extrair o conteúdo dos celulares, é de baixa eficácia, o que nos obriga a realizar o trabalho de forma manual", reclamam. As peritas acumulam 700 celulares esperando análise, o que demandaria quatro anos de trabalho se não entrasse nenhum novo equipamento para ser examinado. A tecnologia cada vez mais avançada dos telefones aumenta a dificuldade.
Já entre os profissionais que fazem plantão de atendimento nos chamados "locais de crime", o que envolve homicídios, suicídios, achados de cadáver e acidentes com morte, entre outras demandas, a maior reclamação dos cinco peritos do setor e outros dois que eventualmente oferecem apoio é com relação ao volume de municípios atendidos: 86. "Não conseguimos atender nem mesmo todas as cidades da Região Metropolitana de Londrina. Trabalhamos muito mais com coragem do que com condições adequadas", diz o perito Eduardo Lopes Rodrigues Pinto.
Segundo ele, no Brasil ainda existe a cultura de que o principal elemento de culpa é a confissão. "Ainda não se tem a consciência de que a ciência é mais eficiente e definitiva na determinação de provas. A perícia produz peças que são decisivas nos processos, mas os investimentos não são proporcionais à importância do trabalho."


