A advogada Alessandra Borelli, diretora executiva da Nethics Educação Digital – focada na educação para uso consciente da internet -, critica os formadores de opinião que, apesar de se comunicarem diretamente com crianças e adolescentes, divulgam conteúdos irresponsáveis que acabam influenciando a prática dos desafios, sejam eles de não oxigenação ou outras práticas perigosas.
Youtubers e apresentadores de alguns programas de humor na TV, segundo ela, deveriam receber intervenção do Ministério Público (MP). Ela mantém a mesma opinião sobre um canal do YouTube bastante conhecido pelas crianças, onde uma mãe incentiva a filha a realizar desafios. "Esta mãe constrange a filha, viola o Estatuto da Criança e do Adolescente e deveria ser acionada pelo Conselho Tutelar", afirma.
A ativista reconhece, por outro lado, que a velocidade da troca de informações pela rede dificulta ações formais. Por isso, acredita que o melhor caminho para proteger as crianças e os adolescentes dos perigos é a educação. "São muitas situações e muitos problemas. Grande parte dos desafios surgem nos Estados Unidos e chegam ao Brasil em questão de segundos, é um processo muito dinâmico. Por isso acredito na educação", reforça.
Conhecer os amigos dos filhos, saber o que eles gostam de ver no YouTube e conversar de maneira estratégica sobre as brincadeiras perigosas e outros riscos é fundamental. "Dá trabalho, mas precisa ser feito", considera ela, que recomenda também instalar ferramentas de controle parental nos dispositivos onde isso for possível.
Alessandra lembra que as crianças e adolescentes atuais têm mais curiosidade sobre assuntos diversos porque têm mais acesso às informações. Além disso, movidos pela vontade de ganhar curtidas e compartilhamentos, acabam imitando formadores de opinião de postura duvidosa e publicam até mesmo tutorais sobre os jogos. "Às vezes o vídeo da criança está público na internet e os pais não sabem, o que é absurdo", denuncia.
Outra orientação é buscar parceria na escola para prevenir sobre as brincadeiras. "Os professores têm metodologia e linguagem adequada para cada faixa etária e o viés de abordar os riscos das alterações fisiológicas sobre a não oxigenação nas aulas de ciências. É importante alertar as escolas para darem mais atenção, pois as brincadeiras podem acontecer no pátio", afirma.
A advogada lembra que quem incentiva crianças e adolescentes a cumprir o desafio pode eventualmente responder por crimes como lesão corporal e até homicídio. (C.A.)

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