Para a presidente do Instituto Brasileiro de Direito Previdenciário (IBDP), Jane Berwanger, o problema da aposentadoria no Brasil é na verdade um problema de trabalho. "O brasileiro começa a trabalhar cedo e, consequentemente, se aposenta mais cedo", diz. A legislação atual define os 16 anos como a idade mínima para entrar no mercado formal.
Outro problema que tem a mesma origem é a empregabilidade de pessoas mais velhas. Conforme Jane, o Brasil não oferece oportunidades de recolocação às pessoas com mais de 50 anos e, quando existe a vaga, nem sempre é possível manter o mesmo padrão de vida. "Quem fica desempregado após esta idade e não consegue se recolocar com a mesma renda acaba optando pela aposentadoria. Na prática, continua trabalhando, mesmo que ganhando menos, para complementar a renda", diz.
O impacto é sentido pelo sistema previdenciário, que já avalia a necessidade de mudar as regras para dar conta do pagamento dos benefícios. Jane, porém, acha que a mudança não será aprovada facilmente pela sociedade em função da realidade do mercado de trabalho brasileiro. "Seria mais importante criar mecanismos para favorecer a empregabilidade de pessoas mais velhas", opina.
Ela destaca que a mesma lógica deveria ser aplicada na tentativa de reduzir o pagamento do auxílio-doença. "O correto é perguntar: por que as pessoas adoecem tanto?", questiona. (C.A.)

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