Luana, de 10 anos, passou meses sonhando com uma maquininha registradora de brinquedo estampada com uma personagem famosa do universo infantil. A mãe, a consultora de beleza Eliani Vieira, tentou adiar ao máximo a compra do objeto que custava quase R$ 300 – considerado caro para o orçamento familiar. A veiculação exaustiva de comerciais sobre o produto na programação de um canal infantil da TV a cabo não deixaram Luana esquecer do brinquedo. Com medo que a filha pudesse adoecer, tamanha a vontade que ela manifestava de possuir a registradora, Eliani acabou cedendo. Quando chegaram em casa e tiraram o brinquedo da caixa, a euforia deu lugar à decepção. O produto, bem menor do que mostrava a TV, não era capaz de proporcionar a diversão exibida pelo anúncio.
"Depois disto, ela entendeu que não dá para acreditar em tudo que passa na TV. Mas é difícil competir com a quantidade de propagandas que ficam repetindo a mesma coisa o dia inteiro", analisa. A solução encontrada por Eliani foi reduzir a uma hora por dia o tempo em frente ao aparelho. "No começo a Luana estranhou. Depois, passou a ler mais, brincar mais com os brinquedos que já possui. A mudança foi para muito melhor", acredita.
Na família da dona de casa Fabiana Rodrigues Aranha, poupar as filhas Sarah, 9,e Laura, 3, do consumismo possivelmente incentivado pela publicidade é um desafio diário. O último objeto de desejo da mais velha foi uma boneca de quase R$ 300 que estava em todos os canais infantis no ano passado. Depois de quase um ano, os pais resolveram presentear a filha no Natal. Não contavam, porém, que a filha mais nova também ia querer o brinquedo que via na TV. "Acabamos comprando outra boneca e estamos pagando até hoje", lamenta, revelando que as filhas nem brincam com as bonecas como deveriam. Fabiana reclama também que as filhas se iludem com os cenários em que os brinquedos são apresentados na TV e depois se decepcionam. "É propaganda enganosa, porque o brinquedo ‘real’ é sempre frustrante", critica. (C.A.)

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