''Quando uma crise está começando, a vida perde a cor. O céu pode estar lindo, azul, com o sol brilhando, mas vejo tudo cinza'', conta Maria (nome fictício), que sofre de depressão e síndrome do pânico praticamente durante toda sua vida, na qual tristeza, medo, angústia, confusão mental são alguns dos sintomas que a doença traz. Como se não bastasse, a perda do sono e de apetite agravam o quadro da doença. ''É uma situação terrível. Perdi muitos anos da minha vida'', lamenta.
Cansada, porém, de sempre ser abatida pela doença, resolveu pesquisar sobre novos tratamentos depois de sair de mais uma internação numa clínica psiquiátrica. ''Foi quando li sobre a estimulação magnética transcraniana. Falei com meu médico e ele concordou que poderia auxiliar no meu quadro'', diz ela, referindo-se sobre seu diagnóstico, classificado como refratário, isto é, quando não há uma resposta satisfatória aos tratamentos farmacológicos. O ápice foi tomar oito medicamentos diferentes ao dia de altas dosagens.
Como uma última tentativa, iniciou a técnica, que é realizada em Maringá (Noroeste). ''Foram 20 sessões diárias no começo. Depois, uma vez ao mês para manutenção.'' Maria conta que fica sentada numa cadeira semelhante a de um dentista e uma espécie de capacete é colocado em sua cabeça. ''Fico acordada durante todo o procedimento que demora uns 30 minutos. Sinto como se fosse uma descarga elétrica na cabeça. É suportável e a frequência vai até onde aguento.''
Terminada a sessão, tem apenas uma leve cefaleia que é aliviada com analgésico. ''Mas ganhei qualidade de vida que havia perdido. Ainda continuo o tratamento com medicamentos, porém, bem menos. Apenas três e em dosagem bem menor'', comemora, completando que os remédios a deixavam com os movimentos mais lentos e atrapalhavam minha concentração. ''É uma doença limitante; é desumano viver assim. Sou a favor de tudo o que possa melhorar a vida de quem sofra como eu'', finaliza. (M.T.)

mockup