No primeiro semestre de 2011 foram instaurados 489 inquéritos de casos de violência doméstica na Delegacia da Mulher, em Londrina. Destes, 26 resultaram em prisões em flagrante e outros oito tiveram pedido de prisão preventiva. No mesmo período foram registrados 154 pedidos de medidas protetivas.

A FOLHA apurou que é alto o número de desobediência às medidas protetivas. E que estas situações sempre são acompanhadas de outros crime, como injúria ou agressão. A delegada Elaine Ribeiro foi procurada mas estava de férias.

Na sala quente da delegacia, uma senhora de meia idade sentada com semblante tranquilo. Maria (nome fictício) estava lá para testemunhar a favor de uma amiga que é vítima de violência doméstica. Sabendo como é viver com medo, decidiu incentivar a amiga a fazer o mesmo que ela: denunciar o agressor. Há um ano, ela vive esquivando-se do ex-namorado, um homem que ela considera boa pessoa quando não está alcoolizado.

''Quando ele bebe, fica completamente louco. Já colocou uma faca no meu pescoço e deu um tapa na minha cara'', lembra. Maria conseguiu medida protetiva que impede o agressor de se aproximar dela. Mesmo assim, ele descumpre a decisão judicial. ''Certa vez, ele ligou dizendo que iria na minha casa. Nesse dia, dormi em uma amiga. Na manhã seguinte, me deparei com a porta de casa arrombada.'' A partir do episódio, foi até a delegacia, registrou queixa e pediu a medida protetiva.

Leia mais na matéria da repórter Michelle Aligleri

Leia também:
Ações devem incluir vítimas e agressores
Vara especializada defere 686 medidas protetivas

mockup