O transporte rodoviário de passageiros no Brasil sofre com a estagnação da demanda, ao mesmo tempo em que o aeroviário alça voos sem precedentes. De acordo com estatísticas da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), nos últimos oito anos o número de pessoas transportadas no País em viagens interestaduais e internacionais de ônibus oscilou sempre perto da faixa de 136 milhões de passageiros. Entre 2002 e 2010, a variação foi de apenas 0,4%.
  Enquanto isso, a demanda por transporte aéreo teve crescimento expressivo. Conforme anuário da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), no ano de 2002 pouco menos de 59 milhões de passageiros foram transportados em rotas domésticas e internacionais nos 20 principais aeroportos do País. Em 2010, foram mais de 136 milhões, um aumento de 131% em oito anos. Ou seja, a diferença entre os dois índices, que era de mais de 70 milhões de passageiros no início da década passada, praticamente deixou de existir.
  Um atrativo do avião tem sido o preço das passagens. Segundo a Anac, no ano retrasado a tarifa aérea média em voos domésticos no Brasil ficou em R$ 282,79, queda de 39% em relação a 2002.
  No transporte rodoviário, por outro lado, os bilhetes estão cada vez mais caros. De acordo com a ANTT, entre 2002 e 2010, os valores para viagens interestaduais e internacionais sofreram variações do coeficiente tarifário máximo que acumularam alta de 61%.
  Thadeu Castello Branco e Silva, diretor-superintendente do Sindicato das Empresas de Transporte Rodoviário Intermunicipal de Passageiros do Estado do Paraná (Rodopar), aponta que o aumento da demanda por transporte aeroviário é consequência do desenvolvimento econômico. ‘‘O avião é concorrente do ônibus somente nas viagens de 400 quilômetros em diante. O modal cresce junto com a capacidade aquisitiva da população, por conta do crescimento econômico do País e da oferta de crédito. Mas o ônibus não ficou estagnado necessariamente pela maior procura pelo avião. Acredito que o aquecimento do mercado automobilístico contribuiu muito mais. No mundo todo, são dados incentivos para o transporte coletivo. No Brasil, incentiva-se a produção de carros com financiamentos mirabolantes. Outro concorrente do ônibus, nas linhas curtas, aquelas em torno de 70 quilômetros, é a moto’’, diz Silva.
  Ele descreve que a popularização da internet e a descentralização universitária, que diminuíram os deslocamentos, também contribuíram para a queda da procura por transporte rodoviário. ‘‘Se a chamada classe C está conseguindo viajar mais de avião, então vamos passar a transportar as classes D e E, que antes não viajavam tanto de ônibus’’, argumenta. Em todo caso, Silva acredita que o ônibus continuará sendo muito procurado, até por certas limitações do modal aeroviário.
Mais razões
  O brigadeiro Allemander Pereira Filho, consultor na área de transporte aeroviário cita outras três razões para o aumento de demanda no setor: a desvalorização do dólar, que propiciou redução de custos; o plano de atualização da frota; e as condições facilitadas de parcelamento para compra de bilhetes. ‘‘Nos últimos anos, o crescimento (do setor aeroviário) sempre esteve acima de dois dígitos, e em 2011, apesar da desaceleração, isso deve ocorrer novamente’’, avalia Pereira.
  Ele cita que, para os próximos anos, a demanda por transporte aeroviário de passageiros deve desacelerar, influenciada pelo aumento dos combustíveis, pelo câmbio e pela redução da expectativa de crescimento da economia. ‘‘Para 2012, havia a expectativa de um aumento de demanda em torno de 10%, mas acredito que não deve chegar a isso.’’

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