Juliano Danilo Spuldaro, pesquisador e professor do curso de Administração da Universidade do Oeste de Santa Catarina (Unoesc), e Fabricio Baron Mussi, docente da mesma graduação na Faculdade União das Américas (Uniamérica), em Foz do Iguaçu, realizaram há quatro anos um estudo sobre barreiras para inovação na área de transporte rodoviário de passageiros. Os pilares da análise foram opiniões de dirigentes de três empresas paranaenses do setor.
Na pesquisa, os dois professores constataram que os procedimentos das empresas eram muito parecidos, como substituição de ônibus convencionais por executivos ou leitos, a extensão dos serviços para fretamento, transporte metropolitano e de cargas e encomendas e a venda de passagens pela internet. As companhias pesquisadas tinham grande dificuldade para inovar em razão da forte regulamentação imposta pelo poder público.
Entretanto, em entrevista à FOLHA, Fabricio Mussi ponderou que essa padronização é apenas uma das explicações para a transferência de clientela do transporte rodoviário para o aeroviário. ''Nossa argumentação explica parcialmente essa migração, visto que as empresas aéreas estão continuamente oferecendo preços mais baixos para quem comprar passagens antecipadas, oferecendo novas condições de pagamento, a exemplo da recente disponibilização da opção de pagamento por meio de boleto bancário, e programas de fidelização aprimorados, que, de certa forma, incentivam o cliente a consultar as opções de passagem aérea concomitantemente à consulta de uma passagem de transporte rodoviário'', diz o professor.
Mussi aponta que, apesar das dificuldades, as empresas de transporte rodoviário de passageiros estão tentando recorrer a serviços diferenciados para manter e atrair clientes.
''As empresas de transporte rodoviário estão atuando em algumas frentes: o conteúdo tecnológico e a estrutura interna dos novos ônibus oferecem maior segurança e comodidade durante as viagens; a facilitação dos processos de compra de passagens e despacho de bagagens e encomendas; os programas de fidelização; e as salas de espera nas rodoviárias, climatizadas e com TV e internet, representam algumas das opções de que as empresas de ônibus estão fazendo uso atualmente'', argumenta.
''Além disso, a preocupação com a qualidade dos serviços prestados se elevou, de modo que as empresas de ônibus estão mais atentas aos anseios de seus clientes. Atualmente, tão relevante quanto manter os custos baixos é manter os clientes satisfeitos'', complementa Mussi.

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