Duas épocas unidas pelo bom gosto
Arquitetos revisitam o palacete que abrigou a mostra de 95, aceitando o desafio de propor novas soluções aos ambientes
Simone Mattos
Mauro FrassonSala de jantar, criação de Lupércio Manoel de SouzaPropostas modernas de arquitetura e decoração deram vida nova ao histórico palacete do Batel, um dos mais belos prédios de Curitiba, tombado na década de 70. Pelo quinto ano consecutivo a Casa Cor Sul surpreende os seus visitantes. Desta vez, passado e presente estão unidos pelo bom gosto.
Quem dá as boas-vindas aos visitantes é um dos convidados especiais da exposição. O arquiteto paulista Oscar Mikail, um dos maiores nomes mundiais da decoração atual, assinou o welcome living. O ambiente apresenta uma mistura equilibrada entre o clássico e o moderno.
Esta harmonia foi conquistada graças a composição entre as peças. Tapeçarias do século 17, poltronas Luís 16 e abajures em ânfora do século 18 aparecem ao lado de quadros de artistas contemporâneos, como Sérgio Ferro. Os tons amarelos e uma mesa em aço escovado também dão o tom moderno.
Mauro FrassonO loft do executivo foi criado pelo arquiteto Júlio PechmannOutro ambiente localizado no andar térreo do palacete, o living-room do casal, criado pelo arquiteto Jayme Bernardo, resume bem a proposta da exposição. ‘‘O ambiente foi projetado para um casal de 50 ou 60 anos de idade, que fez uma reavaliação de vida e optou por peças fantásticas que compõe um ambiente totalmente cosmopolita.’’
Ali se misturam quadros importantes do movimento construtivista brasileiro, assinados por artistas como Amílcar de Castro e Siron Franco; uma lareira moderna em cromado e rádica, projetada pelo próprio arquiteto; luminárias italianas de Murano e um grande bonsai antigo, que dá o clima oriental.
Mauro FrassonCave, da arquiteta Heloise MenolliO elegante living-room divide paredes com o jardim de inverno do palacete, onde o arquiteto Eduardo Mourão se inspirou num personagem específico para criar o espaço. ‘‘Estou começando a jogar golfe, o que me fez idealizar um ambiente especial para um golfista’’, explicou.
A sofisticação do jardim de inverno tirou partido do avantajado pé-direito e dos amplos janelões originais e foi complementado por um lustre de 20 braços, idealizado pelo próprio arquiteto. Tons claros da pintura dão o toque final.
Eduardo Mourão é um dos arquitetos que participaram da Casa Cor Sul em 95, quando a exposição aconteceu no mesmo palacete. ‘‘Esta proposta é única no Brasil: fazer com que os arquitetos voltem ao mesmo local com o desafio de criar outras opções.’’
Ele comentou que a Casa Cor Sul, que neste ano lançou o desafio de revisitar o palacete, possui um grande diferencial em relação a outras exposições de decoração do País. ‘‘A sugestão sobre um determinado tema aumenta a nossa preocupação com os detalhes.’’
Quem também está revisitando o palacete são os arquitetos Cristiana Brenner e Luiz Mori Neto, pela quarta vez na Casa Cor e segunda no palacete. Eles criaram uma aconchegante e funcional varanda, localizada no segundo andar, sobre o jardim de inverno. Na edição de 95, no mesmo local havia funcionado uma sala de estar íntima.
‘‘Quisemos criar uma ambiente bem diferente até mesmo para não concorrer com
‘Sugestão sobre um
determinado tema
aumenta preocupação
com os detalhes’a proposta anterior’’, explicou Cristiana. Para isto eles idealizaram um ambiente ‘‘pés-no-chão’’, dedicado a um personagem músico.
Móveis simples e com rodinhas, ideal para quem gosta de inovar todos os dias, são um dos detalhes do espaço. ‘‘Também tivemos cuidado em preservar o balcão original, sem perder este espaço aberto da varanda’’, afirmou Luiz.
De volta ao andar térreo do palacete encontramos uma inédita sala de jantar, onde os astros Spencer Tracy, Sidney Poitier e Katharine Hepburn são os convidados para o jantar. Resgatando os bons tempos do cinema, o decorador Lupércio Manoel de Souza apresentou uma proposta inovadora.
Um ambiente dominado pela cor branca e destacado por persianas plissadas, ‘‘que dão uma idéia de película’’, foi o resultado de uma inspiração que teve início com o filme ‘‘Adivinhe Quem Vem Para o Jantar’’, um clássico de 67. Além de homenagear a sétima arte, o decorador explica que a cor branca não está no ambiente por acaso. ‘‘É a cor da virada do século’’, antecipa.
Serviço: A exposição permanecerá até o dia 21 de junho, aberta de terça a domingo, das 11 às 21 horas, na Avenida Batel, 1.387. O preço dos ingressos é R$ 10,00 para estudantes de arquitetura e decoração e R$ 13,00 para o público.

mockup