Drogas podem influenciar quadro depressivo
Londrina - A desagregação do modelo familiar dito "tradicional" é geralmente apontada como um dos motivos que podem contribuir para a incidência de transtornos mentais em crianças e adolescentes e o aumento do suicídio, afirma o psiquiatra e professor Roberto Ratzke. Mas ele salienta que há outros fatores que devem ser levados em conta, como o uso e tráfico de drogas. "As drogas são um aspecto importante na análise das mortes violentas e até do suicídio. No Paraná, temos altos índices de violência na fronteira da Região Oeste com o Paraguai muito ligados ao tráfico de drogas. O crack, principalmente, tem uma taxa muito grande em Foz do Iguaçu", aponta.
Em relação ao tratamento indicado a jovens que apresentem comportamento depressivo, o psiquiatra afirma que pode ser feito não necessariamente com medicamentos. "Alguns tratamentos com psicoterapia são bastante eficazes. A grande questão é que a maioria das pessoas que precisam de tratamento não o faz, porque reluta, porque tem preconceito, acha que a psiquiatria é só coisa de louco", critica.
Roberto Ratzke adverte que no caso de jovens que já tenham tentado o suicídio, o tratamento tem que ser encarado com mais cuidado. "Nesses casos é melhor tentar o tratamento ambulatorial, extra-hospitalar, mas se o risco for muito grande, e é avaliado pelo profissional de saúde mental, como psiquiatra, psicólogo, médico, clínico geral, a internação é indicada, inclusive contra a vontade. A legislação permite isso, internar contra a vontade quando há um risco de morte", explica.
O comportamento suicida tende a variar conforme o gênero. O psiquiatra afirma que as mulheres atentam mais para os crimes contra a própria vida, mas os homens são os que mais cometem suicídios. "Existem pelo menos dez tentativas para cada suicídio. As mulheres tentam bem mais do que os homens, mas os homens cometem mais suicídios do que as mulheres, porque usam métodos mais violentos. As meninas ou mulheres usam bastante medicação e tentam cortar os pulsos, técnicas que são pouco efetivas. Os homens usam mais enforcamento e arma de fogo. Isso na população mais adulta, mas entre os jovens a gente vê a menina ter um rompimento amoroso e tomar remédio. É mais difícil o homem tentar suicídio por rompimento amoroso, as drogas têm papel mais importante muitas vezes. Os homens usam mais drogas do que as mulheres", esclarece.(D.P.)





