Dólar preocupa produção moveleira
No setor moveleiro, mesmo entre as empresas exportadoras, é a forte oscilação do dólar que ameaça a segurança dos negócios. De acordo com Rajanand Albano da Costa, diretor geral da Conex-Furniture Brazil - um consórcio exportador de móveis e importador de matérias-primas do polo produtor de Arapongas -, nas últimas cinco semanas a moeda americana oscilou numa margem de 25%.
''Para o importador, essa conjuntura significa a possibilidade de pagar até 25% a mais por compromissos financeiros contraídos em dólar, o que pode quebrar uma empresa. Para o exportador, a oscilação indica problemas na economia mundial, o que acaba causando retração nas compras. Ninguém ganha, a não ser o especulador'', afirma.
Segundo Costa, o problema da perda de competitividade da indústria brasileira é causada mais por questões internas e menos pela concorrência chinesa. ''As altas taxas tributária e de juros tiram a capacidade competitiva. Também não existem políticas de atração de capital que fique no País a longo prazo.''
Nelson Poliseli, presidente do Sindicato das Indústrias Moveleiras de Arapongas (Sima), reafirma que a China não compete diretamente com o setor moveleiro, mas incomoda principalmente produtores de acessórios como dobradiças e puxadores. Na própria empresa, que produz kits de cozinha, ele utiliza produtos importados e paga 20% mais barato que os similares nacionais. ''Os magazines fazem muita pressão por preço baixo. Se não compro da Ásia, outros vão fazê-lo e aí não consigo concorrer'', justifica. (C.A.)





