O Núcleo Londrinense de Redução de Danos é uma organização não governamental (ONG) que desde 2001 atua na promoção à saúde e dos direitos humanos e no acolhimento de pessoas soropositivas e dependentes de drogas na cidade.
Duas vezes por semana, a entidade promove em sua sede encontros de grupos de ajuda mútua com o objetivo de auxiliar a população em situação de risco a lidar com sua condição por meio do compartilhamento de experiências e do enfrentamento dos problemas.
A ONG também tem realizado a testagem rápida do HIV por fluido oral, que visa detectar de forma rápida a presença de anticorpos anti-HIV na saliva. O teste rápido mais comum disponível na rede pública de saúde detecta a presença do anticorpo no sistema sanguíneo, mediante a coleta de sangue.
"A função do núcleo é o acolhimento, tanto da pessoa em drogadição como do soropositivo. Nós não temos nenhum trabalho assistencialista e sim do acolhimento, para que essas pessoas possam ter um aconchego, um abraço, porque a maior parte delas, quando descobre que tem o vírus, acha que a vida acabou. E nós colocamos que a vida não acabou, está começando ali", afirma o atual presidente da ONG, Dalton Pio Ferreira.
O renascimento, segundo ele, consiste em dar mais valor à própria vida. "O soropositivo tem outra dimensão da vida, passa a se amar antes de tudo e a se cuidar muito mais, porque a maior parte deles, por mais relapsos que sejam, a partir do momento que descobre a sorologia passa a se cuidar e a cuidar da vida dos seus próximos também", salienta.
A gerente do Centro de Referências em Aids e Hepatites Virais da Secretaria Municipal de Saúde, enfermeira Regina Cortez, observa que de fato há pacientes soropositivos atendidos na unidade que se forçaram a buscar mais qualidade de vida ao iniciar o tratamento para o controle da imunodeficiência. "Já ouvi pacientes dizerem que antes de contrair o vírus ou de descobrir a soropositividade não tinham a qualidade de vida que passaram a ter, porque se alimentam melhor e procuram fazer alguma atividade física para conviver com essa condição de uma forma menos dolorosa", confirma.
Só que a conscientização de que a vida não acabou parece não sensibilizar os soropositivos que mal começaram a vivê-la. O presidente do Núcleo de Redução de Danos lamenta que os jovens de 15 a 24 anos sejam mais reticentes ao acolhimento promovido pela ONG, embora estejam em um dos grupos etários de maior risco.
"Os jovens são muito resistentes ao trabalho em grupo de ajuda mútua que realizamos aqui. Eles tentam esconder deles mesmos a soropositividade, e muitas vezes, até quando estão com a carga viral alta e a imunidade baixa, fogem do tratamento, ou o fazem de maneira incompleta, tomam o medicamento um dia sim e dez dias não", observa. O problema desse comportamento, afirma Dalton Pio Ferreira, é que além de comprometer o próprio tratamento, esse jovem também poderá interferir no processo de controle da imunodeficiência nas demais faixas etárias. "Seu organismo passa a desenvolver uma resistência muito maior para o vírus, o que acaba sendo um problema muito maior para a rede de tratamento da epidemia em geral, porque ele terá que usar coquetéis que são top de linha e que seriam utilizados para quem está 20, 30 anos com o vírus", pontua.

SERVIÇO
O Núcleo Londrinense de Redução de Danos realiza a testagem para anticorpos anti HIV por fluido oral às segundas-feiras, das 14 às 19 horas, e promove as reuniões dos grupos de ajuda mútua para soropositivos às quartas-feiras, das 19 às 21 horas. A sede da ONG fica na Rua Senador Souza Naves, 189, 1º andar. Mais informações pelo fone (43) 3357-2306.

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