DO YOU SPEAK ENGLISH? Menos de 10% estudam em escolas de idiomas
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domingo, 02 de dezembro de 2012
Fábio Galão <br> Reportagem Local 
Segundo dados da Associação Brasileira de Franchising (ABF), no ano passado o faturamento das franquias de escolas de idiomas aumentou 11% em relação a 2010 e superou os R$ 3,1 bilhões. O País tinha 6.215 escolas franqueadas, mas é certo que o número total de estabelecimentos de ensino de línguas é maior, já que muitas escolas não operam em sistema de franquia.
Magdal Frigotto, conselheiro do Sindicato das Escolas Particulares do Paraná (Sinepe-PR) e sócio de uma escola de idiomas, diz que, como existe um mercado rentável, há uma proliferação de estabelecimentos de ensino de línguas, o que abre espaço para cursos de qualidade questionável. Mas ele faz algumas ponderações.
O primeiro e mais importante problema está no sistema de ensino brasileiro. Mesmo o privado não valoriza o ensino de idiomas como deveria. Deveríamos ver a realidade na educação básica, o que tem sido feito pelo governo brasileiro e o que tem sido feito por países que estão à nossa frente, como a China, onde estima-se que haja 300 milhões de pessoas estudando inglês. O principal problema é a falta de uma política de governo para resolver a questão, afirma.
O trabalho das escolas de idiomas pode ser melhorado, com certeza. Há uma proliferação de escolas. Se a educação básica é regulamentada, com regras e metas a serem seguidas, e mesmo assim o ensino é ruim, imagine em uma área livre, sem regras, como é o caso das escolas de idiomas. Não existem índices a serem atingidos. Mas é importante lembrar que apenas entre 8% e 10% da população brasileira estuda em escolas de idiomas. Mesmo que todas fossem muito boas, teríamos menos de 10% dos brasileiros falando inglês com proficiência. Curitiba tem 1,8 milhão de habitantes e apenas 100 mil estudantes em escolas de idiomas, argumenta o conselheiro.
O biólogo e estudante de Medicina Veterinária Leandro de Souza Drigo, de 33 anos, já havia estudado inglês e decidiu voltar a ter aulas do idioma para aperfeiçoar leitura, escrita, compreensão e conversação. Profissionalmente, o domínio de uma língua estrangeira abre portas, e em uma oportunidade de viagem ao exterior, propicia melhor comunicação, justifica.
Em Biologia e Medicina Veterinária, o inglês é extremamente necessário, para acesso a material de estudo. As melhores publicações, artigos, revistas, estão em inglês, afirma Drigo. Ele diz que, entre colegas de profissão, de modo geral o conhecimento de inglês é mediano. Na área científica, há um inglês instrumental, técnico, em que você tem certa proficiência. Para ler, é suficiente. Mas, para se comunicar mesmo, não basta, explica.


