Segundo dados da Associação Brasileira de Franchising (ABF), no ano passado o faturamento das franquias de escolas de idiomas aumentou 11% em relação a 2010 e superou os R$ 3,1 bilhões. O País tinha 6.215 escolas franqueadas, mas é certo que o número total de estabelecimentos de ensino de línguas é maior, já que muitas escolas não operam em sistema de franquia.
  Magdal Frigotto, conselheiro do Sindicato das Escolas Particulares do Paraná (Sinepe-PR) e sócio de uma escola de idiomas, diz que, como existe um mercado rentável, há uma proliferação de estabelecimentos de ensino de línguas, o que abre espaço para ‘‘cursos de qualidade questionável’’. Mas ele faz algumas ponderações.
  ‘‘O primeiro e mais importante problema está no sistema de ensino brasileiro. Mesmo o privado não valoriza o ensino de idiomas como deveria. Deveríamos ver a realidade na educação básica, o que tem sido feito pelo governo brasileiro e o que tem sido feito por países que estão à nossa frente, como a China, onde estima-se que haja 300 milhões de pessoas estudando inglês. O principal problema é a falta de uma política de governo para resolver a questão’’, afirma.
  ‘‘O trabalho das escolas de idiomas pode ser melhorado, com certeza. Há uma proliferação de escolas. Se a educação básica é regulamentada, com regras e metas a serem seguidas, e mesmo assim o ensino é ruim, imagine em uma área livre, sem regras, como é o caso das escolas de idiomas. Não existem índices a serem atingidos. Mas é importante lembrar que apenas entre 8% e 10% da população brasileira estuda em escolas de idiomas. Mesmo que todas fossem muito boas, teríamos menos de 10% dos brasileiros falando inglês com proficiência. Curitiba tem 1,8 milhão de habitantes e apenas 100 mil estudantes em escolas de idiomas’’, argumenta o conselheiro.
  O biólogo e estudante de Medicina Veterinária Leandro de Souza Drigo, de 33 anos, já havia estudado inglês e decidiu voltar a ter aulas do idioma – para aperfeiçoar leitura, escrita, compreensão e conversação. ‘‘Profissionalmente, o domínio de uma língua estrangeira abre portas, e em uma oportunidade de viagem ao exterior, propicia melhor comunicação’’, justifica.
  ‘‘Em Biologia e Medicina Veterinária, o inglês é extremamente necessário, para acesso a material de estudo. As melhores publicações, artigos, revistas, estão em inglês’’, afirma Drigo. Ele diz que, entre colegas de profissão, ‘‘de modo geral o conhecimento de inglês é mediano’’. ‘‘Na área científica, há um inglês instrumental, técnico, em que você tem certa proficiência. Para ler, é suficiente. Mas, para se comunicar mesmo, não basta’’, explica.

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