O mercado de escolas de idiomas vive um período de crescimento expressivo, e, em tempos de comunicação global, a impressão é de que a língua inglesa está em todos os lugares. Mas o inglês falado no Brasil, na média, continua sendo muito
No mais recente Índice de Proficiência em Inglês calculado pela instituição de educação internacional Education First (EF), os brasileiros ficaram em 46º lugar entre os 54 países pesquisados, com nota 46,86, considerada muito baixa.
O índice considera a fluência em inglês entre adultos, medida através do desempenho em três testes realizados anualmente. Na mais recente edição, foram considerados dados de provas realizadas entre 2009 e 2011 por aproximadamente 1,7 milhão de pessoas.
O Brasil ficou em penúltimo entre os oito países sul-americanos pesquisados - atrás de Argentina, Uruguai, Peru, Chile, Venezuela e Equador e à frente apenas da Colômbia. Outro vexame é que o desempenho brasileiro piorou: no índice de 2011, o País era o 31º entre 44 países, com nota 47,27, o que conferia aos brasileiros proficiência baixa.
Luciano Timm, diretor de marketing da EF, ressalta que o cálculo do índice de proficiência em inglês não teve o objetivo de apontar explicações para o desempenho de cada país. Mas ele indica algumas razões para a classificação ruim do Brasil.
''Podemos perceber pelo que aconteceu na Argentina, que teve um descolamento dos outros países da América Latina e desempenho acima até da Itália e da França. Os outros países latino-americanos tiveram proficiência baixa ou muito baixa, enquanto a Argentina teve desempenho dois patamares acima (proficiência moderada). O que acontece é que na Argentina, desde os anos 1970, o índice de matriculados no ensino médio permanece muito acima (dos vizinhos)'', afirma Timm. ''O tempo de permanência em sala de aula influencia nos índices de educação em geral e também no aprendizado de idiomas.''
''Outra questão no Brasil é a falta de qualidade da metodologia das empresas que ensinam inglês no País. O modo como pais e avós aprenderam inglês não é necessariamente melhor ou mais indicado para quem está aprendendo hoje. O tempo cria novas necessidades, portanto devem ser adotadas novas formas de ensinar. A metodologia está defasada'', critica o diretor da EF.
O inglês ruim dos brasileiros preocupa os organizadores dos dois grandes eventos esportivos que o País vai sediar nos próximos quatro anos, a Copa do Mundo de futebol de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016, no Rio de Janeiro.
Antes da pesquisa da EF, divulgada em outubro, o alerta já havia sido acionado no Ministério da Educação (MEC), quando deixaram de ser utilizadas várias bolsas de graduação e pós-graduação em universidades de países de língua inglesa disponibilizadas através do programa Ciência Sem Fronteiras. O motivo: a baixa proficiência dos candidatos no idioma.

Capacitação
O MEC anunciou que a partir do ano que vem será desenvolvido um projeto para evitar que esse desperdício se repita. Trata-se do Inglês Sem Fronteiras, que terá o objetivo de capacitar em inglês os estudantes pretendentes a bolsas de estudo.
Na educação básica, a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) mantém o Programa de Aperfeiçoamento para Professores de Língua Inglesa, destinado a docentes que trabalham na rede pública. A próxima edição do projeto, cujas inscrições foram encerradas em outubro, vai levar 540 professores para fazer treinamento de seis semanas em universidades dos Estados Unidos.
Mas as ações não devem parar por aí: já se fala em mudanças profundas na matriz curricular da educação básica brasileira, com o objetivo de valorizar o ensino de línguas estrangeiras.
''Nós temos de reformular toda a questão do ensino de línguas, desde a educação básica, porque somos um país monoglota. Definitivamente é a grande barreira, e o MEC já está tomando algumas providências, a Secretaria de Ensino Superior está tomando providências interessantes no sentido de superar momentaneamente essa questão. Mas ela precisa ser enfrentada do ponto de vista estrutural, desde a base'', disse Geraldo Nunes Sobrinho, coordenador-geral de Bolsas e Projetos do MEC, em entrevista publicada na edição de outubro da revista de educação Linha Direta.

No Paraná
A despeito da nota baixa do Brasil no índice de proeficiência, a Secretaria de Estado da Educação (Seed) do Paraná está propondo uma nova matriz curricular para o ensino médio da rede estadual, que entre outras iniciativas limita as aulas de inglês ao primeiro ano deste ciclo. No segundo ano não haveria aulas de língua estrangeira e, no terceiro, os alunos aprenderiam espanhol. A medida, que tem sido bastante criticada por professores da área, teria o objetivo de melhorar a qualidade da educação no Estado através de uma maior oferta de aulas de português e matemática.

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