DIVERSIDADE RELIGIOSA - A macumba pede passagem
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sábado, 17 de agosto de 2013
Marian Trigueiros<br> Reportagem Local 
Macumba nada mais é que o nome de um antigo instrumento de percussão, uma espécie de reco-reco tocado em cerimônias africanas. O preconceito e a perseguição aos negros durante séculos, no entanto, fizeram com que o termo passasse a ser utilizado no sentido pejorativo para designar rituais das religiões afro-brasileiras. Sobretudo pelo imaginário popular cristão e branco, com a justificativa de que se tratava de uma prática profana e pagã.
Praticadas majoritariamente no estado da Bahia e na região Nordeste, as religiões de matriz africana também têm representatividade em Londrina. De acordo com o professor Sérgio Adolfo, doutor em Literatura Africana na Universidade Estadual de Londrina (UEL), as manifestações organizadas do candomblé no município iniciaram na década de 1950, época de ouro em que chegavam milhares de imigrantes. "Mas, de maneira informal, pessoas ligadas a essa atividade religiosa já a praticavam bem antes", resume, frisando que candomblé e umbanda são oriundos da mesma matriz, porém, religiões brasileiras e totalmente distintas.
Embora não haja números oficiais, as estimativas apontam aproximadamente 40 terreiros de candomblé e 300 de umbanda em Londrina e região. Em Salvador, na Bahia, existem 2,2 mil terreiros registrados na Federação Baiana de Cultos Afro-brasileiros e catalogados pelo Centro de Estudos afro-orientais da Universidade Federal da Bahia (UFBA).
No Brasil há cerca de dez religiões de matriz africana, mas o candomblé e a umbanda são os segmentos mais difundidos e conhecidos. No último Censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), de 2010, praticamente todas as religiões existentes no País foram listadas como categoria. Com este recorte foi possível traçar um panorama da quantidade de seguidores de cada uma, inclusive as afro-brasileiras, que eram ignoradas.
No total, mais de 123 milhões se declararam católicas apostólicas romanas e 42 milhões evangélicas. Já em relação às religiões afro, os números se dividem entre umbanda (com 407 mil), candomblé (167 mil) e outras religiões afro-brasileiras (14 mil). Para seguidores, estes números são subestimados, pois muitas pessoas ainda não declaram sua escolha por receio da intolerância religiosa. Com isso, várias dizem ser espíritas, número que passou dos 3 milhões na amostragem. O espiritismo, também conhecido por kardecismo, por sua vez, é uma ramificação da doutrina cristã.
O fato de estarem localizadas principalmente nas regiões periféricas da cidade, segundo Sérgio Adolfo, é também resultado do preconceito que produziu um processo de marginalização. "Apesar da entrada de profissionais liberais e da classe média nos últimos anos, as religiões afro-brasileiras ainda são frequentadas por negros e pobres em sua maioria. Isso não significa, porém, que todo negro é de alguma religião de matriz africana", explica.
No Brasil, além do candomblé (jejê, ketu e angola) e umbanda e suas respectivas ramificações, existem outras religiões afro-brasileiras praticadas, como tambor de mina e magê de mina (ambos no Maranhão), batuque (Rio Grande do Sul) e pajelança, xangô do nordeste e terecô (região Nordeste) e as que possuem ainda elementos indígenas, como jurema ou catimbó. Há outras religiões de matriz africana, que não são praticadas no Brasil, como o vodu haitiano e santeria cubana.


