A defesa do direito à liberdade de expressão foi o que motivou o assistente de marketing e estudante universitário Eduardo Utiyama, de 22 anos, a engrossar as manifestações que tomaram conta das ruas de Londrina. "Meu objetivo foi apoiar as manifestações de outras cidades e demonstrar repúdio à violência contra as pessoas que estavam exercendo seus direitos de cidadãos. Só reclamar não muda as coisas", defende.
Eduardo destaca que os manifestantes foram às ruas com motivações diversas, tendo em comum, entretanto, a vontade de melhorar o Brasil. Ele próprio se diz insatisfeito com a corrupção, a impunidade e a violência urbana. Também se posiciona contra a PEC 37, motivo que o levaria às ruas novamente na tarde de ontem. Para ele, participar do movimento é uma obrigação. "Temos o papel de mudar a cara do País", defende.
As reivindicações pelo passe livre fazem parte da vida do jornalista Lucas de Toledo Martins, de 26, há pelo menos três anos. Agora, ele assiste à manifestação que toma conta do País com um misto de satisfação e preocupação. "Esta foi uma manifestação convocada pelo movimento Passe Livre de Londrina, mas as pessoas passaram a aderir por motivos variados. Algumas defendendo, inclusive, causas contrárias às ideias defendidas originalmente." Para Lucas, isto mostra a indignação do brasileiro quanto à conjuntura política e às atuais lideranças.
O jornalista acredita que por um lado esta reação é positiva. Por outro, porém, é temeroso. "É preciso tomar cuidado com ideias repressoras, de extrema direita, que também estão sendo disseminadas, para não caminharmos para algo pior do que o que está estabelecido", diz, argumentando que as mudanças de última hora no trajeto da passeata, na última segunda-feira em Londrina, refletem a falta de direcionamento do movimento hoje. "Quem está nas ruas sabe o que não quer. Saber o que querem é outra história."
A passeata de segunda-feira em Londrina foi a oportunidade para a técnica em prótese dentária Nalu Cristina Pascoalino Fachim, de 48, participar pela primeira vez de um movimento envolvendo toda a população da cidade. Ela conta que, embora simpatizasse com a iniciativa, não havia se programado para integrar a manifestação. "Mas, o ônibus que eu iria pegar para ir do serviço para a faculdade teve que esperar a multidão passar pela avenida, então eu aproveitei para me juntar ao movimento, por alguns quarteirões. Acho que temos que lutar pelos nossos direitos, desde que seja de maneira pacífica", enfatiza.
Nalu diz sentir-se insatisfeita com a qualidade da educação, da saúde e com o modelo de sistema eleitoral. "Tem muita coisa que nos deixa indignada. E as pessoas que estão lá supostamente preparadas para administrar o País, não fazem nada pela população", critica. Para a técnica em prótese dentária, o movimento está servindo para mostrar que a população está descontente, mas também para demonstrar, fora do Brasil, que nem tudo por aqui está tão bem quanto os governantes alardeiam.

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