Integrante da coordenação estadual do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) no Paraná, Ubiraci Stesko, questiona o fato do programa Vilas Rurais continuar restrito ao Estado após cinco anos de existência. ‘‘Se é tão bom assim, por que nenhum outro Estado imitou o projeto paranaense’’, questiona. ‘‘Em primeiro lugar porque não se trata de uma proposta de reforma agrária, ela tem servido apenas para vender a imagem do Lerner fora do País.’’
Em março o programa será exposto durante um mês no prédio da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York (EUA). As Vilas Rurais já receberam prêmios pela inovação nos conceitos de habitação popular da Fundação Ford, Habitat e Fundação Getúlio Vargas, entre outros. Há dois anos a Caixa Econômica Federal adotou as Vilas Rurais como exemplo a ser recomendado para outros estados.
Pelo menos em um momento o dirigente do MST e representantes do governo concordam em definir as Vilas Rurais como projeto de fixação do homem no campo e não como proposta de reforma agrária. ‘‘O Estado está se preocupando apenas com a questão da habitação, por isso a produção rural nessas áreas é inviável’’, diz Stesko. ‘‘As pessoas não produzem comercialmente nas áreas, porque elas precisam continuar trabalhando como bóias-frias para poderem sobreviver.’’
De acordo com dados da Cohapar, nos últimos seis meses foram produzidas 142 toneladas de alimentos na Vila Rural Nova Ucrânia, em Apucarana, a primeira do Estado. Como são 65 famílias no local, isso representa cerca de 300 quilos de produção por família ao mês.
Segundo o coordenador do MST, estão sendo feitas pesquisas nos acampamentos do movimento no interior do Estado sobre o número de famílias que deixaram as Vilas Rurais para entrar na fila da reforma agrária. ‘‘De maneira preliminar constatamos em alguns acampamentos que muitas famílias saíram das vilas rurais para buscar um projeto de reforma agrária de verdade’’, conta. (E.C.)

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