A doutora em Ciências Humanas Marlene Tamanini, coordenadora do Núcleo de Estudos de Gênero da Universidade Federal do Paraná (UFPR), defende que falta de oportunidades às mulheres no mercado de trabalho é resultado de um processo educacional e cultural. "As empresas valorizam a mão de obra feminina na execução de tarefas detalhistas por acreditarem que elas são mais 'sensíveis', mas não oferecem as mesmas oportunidades. As mulheres quase sempre precisam ter formação intelectual superior ao homem para se destacar", critica, destacando que a definição do lugar do feminino e do masculino é desigual.
A diferença nas oportunidades ofertadas pelo mundo do trabalho também remonta a outras questões sociais. "Mulheres negras e de classes sociais mais baixas, por exemplo, têm menos acesso à educação", pontua. São essas pessoas, também, que acabam assumindo funções de empregadas domésticas ou diaristas, sobre as quais paira um cobrança sobre honestidade que não se repete em outras funções. "São exigências de ordem moral", afirma.
Mesmo em funções que exigem mais qualificação, elas ganham menos em funções equivalentes a exercidas por homens. Enfrentam, ainda, a chamada "dupla jornada", que significa acumular todas as responsabilidades relativas à casa e aos filhos. "É dado como natural que esse trabalho seja executado só por mulheres, mas na verdade é uma injustiça que elas carreguem todo esse peso nas costas. A sobrecarga de trabalho influencia a autonomia", critica.
Marlene lembra que a questão denuncia uma ideologia de gênero bem negativa para as mulheres, visto que elas continuam sendo discriminadas e submetidas à sobrecarga. A responsabilidade por mudar essa realidade, para a pesquisadora, deveria ser de todos. "Mas são elas, as mulheres, que estão assumindo as ações que podem mudar essa cultura", diz. (C.A.)

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