Diagnóstico exige equipe multidisciplinar
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domingo, 23 de dezembro de 2012
Carolina Avansini <br> Reportagem Local 
Com experiência no atendimento de crianças com suspeita de Transtorno de Deficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), a psicóloga Kellen Escaraboto Fernandes, de Londrina, que integra a Associação Brasileira de Neurologia, Psiquiatria Infantil e Profissionais Afins (Abenepi), faz um alerta em relação ao modo como tem sido feito o diagnóstico da doença. ''O problema é que a avaliação nem sempre envolve equipe multidisciplinar que, baseada em critérios adequados, vai validar o diagnóstico nos diversos ambientes frequentados pelas crianças'', enfatiza.
Em trabalho realizado junto a secretarias de Saúde de pequenos municípios, por exemplo, ela já se deparou com pacientes medicados com metilfenidato, cuja prescrição foi feita pelo médico com base apenas no relato das mães. O ideal, de acordo com a psicóloga, seria confrontar as queixas maternas e o diagnóstico do profissional de medicina com a avaliação de um psicólogo e de outros profissionais que porventura atendam o paciente, como fonoaudiólogo, fisioterapeuta e assistente social, além do relato de professores. ''A equipe não precisa estar no mesmo centro de atendimento, mas os profissionais têm que se comunicar'', esclarece.
Kellen defende que, quando a criança ou adolescente passa por avaliação criteriosa e é diagnosticada com TDAH, o medicamento pode ajudar no tratamento, que deve incluir também - e principalmente - a intervenção comportamental através de psicoterapia. O objetivo é criar estratégias para melhorar o nível de atenção. ''Isso o medicamento não ensina.''
Os sintomas de TDAH, conforme a psicóloga, não podem ser confundidos com falta de atenção. ''Ao contrário, a criança presta atenção em tudo, mas não consegue manter o foco em apenas uma coisa'', diz. Além disso, apresenta agitação física, mental e verbal e impulsividade. ''Ela não consegue frear ações e comportamentos.''
Outro alerta da psicóloga é com relação à hiperutilização do rótulo ''hiperativa'' para designar qualquer criança agitada. Essa seria uma das consequências da intolerância dos adultos com o mundo infantil, que resulta, inclusive, na limitação de uma atividade fundamental para a infância: o brincar. Independentemente das causas do comportamento inadequado, ela ressalta que crianças e adolescentes que enfrentam o problema precisam ser ajudadas.
Polêmica
Para o psiquiatra Salomão Rodrigues Filho, diretor da Sociedade Brasileira de Psiquiatria (SBP), o deficit de atenção é ''perfeitamente corrigido com a Medicação.'' ''As polêmicas em torno da prescrição do medicamento são falsas, levantadas por pessoas sem conhecimento científico ou fora da área de psiquiatria na infância e neuropediatria'', critica.
A SBP, segundo ele, também defende o diagnóstico multidisciplinar baseado na avaliação de um conjunto de sintomas que estabelecem a doença. ''O medicamento, quando prescrito após diagnóstico cuidadoso e em doses corretas, só traz benefícios''. defende.


