Carolina Avansini
Reportagem Local
A profissão ganhou fama e até mesmo um certo glamour com a popularização de seriados americanos como CSI ou Criminal Minds. No dia a dia, porém, o trabalho dos peritos oficiais – o que inclui peritos criminais, médicos-legistas, químicos legais e toxicologistas – tem em comum com as séries principalmente a perspicácia para enxergar coisas que passam despercebidas pela maioria das pessoas. Exames realizados instantaneamente e o uso de equipamentos de alta tecnologia, que estão sempre à disposição, entretanto, ficam por conta do exagero hollywodiano.
O presidente do Sindicato dos Peritos Oficiais e Auxiliares do Paraná (Sinpoapar), Leandro Cerqueira Lima, explica que os profissionais são os responsáveis pela emissão de laudos que são a materialização das provas quando existe um crime a ser apurado.
Em Curitiba, o Instituto de Criminalística engloba as divisões de crimes contra a pessoa, crimes contra o patrimônio, acidentes de trânsito, engenharia, informática, audio-visuais, grafotecnia e documentoscopia, identificação veicular, balística, retrato-falado, hipnose, química e DNA. "No interior, algumas cidades possuem seções especializadas, mas em número bem menor que na capital", explicou.
Para ingressar na profissão, é preciso ser aprovado em concurso público. Os candidatos podem ter formação de nível superior em diversas áreas, como engenharias, química, farmácia, fonoaudiologia e informática, entre outras possibilidades. Após o ingresso, todos os peritos passam por um curso de formação e um período de aprendizagem em todas as seções, seguido de um período maior na seção de lotação definitiva.
Conforme o presidente do sindicato, na elucidação de um crime, toda a produção de prova é realizada pela Polícia Científica, ou seja, todos os vestígios deixados no local, a descrição da cena e da dinâmica do crime e a análise dos vestígios, como exame de DNA ou afirmação se determinado material é droga, são realizados por peritos criminais. Os médicos-legistas, por sua vez, determinam a causa da morte, além de coletar material para comparação, como exame de DNA em casos de estupro ou se existe material tóxico no caso de envenenamento.
Na prática, além de realizar exames em laboratórios especializados e emitir laudos, os peritos coletam resíduos de sangue, impressões digitais e objetos, além de examinarem a posição do corpo e outros elementos na cena do crime. "Só nesta primeira observação é possível determinar se a vítima estava em pé ou deitada, a posição do atirador e a direção do disparo", explica o diretor do Instituto de Criminalística de Londrina, Daniel Filipetto.
Apesar da importância do trabalho para produção de provas, os profissionais enfrentam dificuldades como a falta de isolamento dos locais de crime, que deveria ser feito pela primeira autoridade policial a chegar no local. "Se alguém revira o bolso da vítima, por exemplo, já pode interferir na análise do perito", afirma. O mesmo vale para celulares, que devem ser imediatamente desligados para não modificar possíveis provas, o que nem sempre acontece.
Sobre as demandas recebidas pelo IC de Londrina, ele revela que o maior número de pedidos é relativo a laudos sobre telefones celulares e armas de fogo apreendidos. "No caso do assassinato do dono do Depósito São Marcos (o empresário José Luiz de Souza, morto em uma tentativa de assalto em março deste ano), o exame de um celular acabou ajudando a desvendar o homicídio", exemplificou.
O diretor do IC ressalta que o órgão tem atendido mais casos de pedofilia que o esperado, o que gera necessidade de examinar equipamentos de informática. "Esses casos são horríveis", desabafa. Psicólogo por formação, ele recorda de outras situações que o deixaram chocado apesar dos anos de experiência na função. Uma delas foi um acidente de trânsito que resultou no atropelamento e morte de dois bebês por um ônibus. Outro caso foi a confecção do laudo de um vídeo em que o assaltante Marcelo Borelli (morto em 2007) torturava uma criança de três anos. "O homem se divide entre o bem e o mal, essa luta faz parte da vida. Mas tem gente que exagera na ruindade", diz ele, que apesar de se confessar fã de CSI e Criminal Minds, reconhece que os programas são "enfeitados".

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