Devedores Anônimos auxiliam a mudanças de hábitos
O desespero e a impotência diante das dívidas são alguns dos sentimentos mais frequentes entre os membros dos "Devedores Anônimos", que se reúnem semanalmente em Londrina. Em 14 anos de atuação, o grupo já realizou mais de 700 reuniões com pessoas interessadas em seguir o programa de doze passos semelhante a programas destinados a alcoolistas e usuários de drogas - que tem o objetivo de promover a recuperação financeira e a mudanças de hábitos em quem deixou as dívidas chegarem a uma situação insustentável.
"Tem gente que deve R$ 1 mil e outros devem mais de R$ 1 milhão", conta um dos coordenadores, que não pode se identificar porque um dos princípios do programa é o anonimato. O atendimento começa com uma reunião de apresentação para o grupo. "Muitos choram, tamanho é o desespero", conta ele. Em seguida, o membro é convidado para uma reunião particular, chamada "alívio de pressão", na companhia de um padrinho escolhido por ele e um veterano. "Nesse momento, traçamos um plano de ação com sugestões concretas para sair do 'fundo do poço'", relata. O primeiro passo, segundo ele, é cuidar da própria saúde, muitas vezes debilitada pelo desespero. Depois, é feito um planejamento que inclui até mesmo a possibilidade de fazer uma reserva financeira para pagar os débitos. "Normalmente dá certo, é comum termos ótimas surpresas", comemora.
A maior causa do superendividamento das pessoas que passaram pelas reuniões é com cartão de crédito. "O mais preocupante, porém, são aqueles que devem para agiotas e estão ameaçados", denuncia, lembrando que o grupo já chegou a evitar suicídios de pessoas desesperadas por causa das dívidas. A maioria é vítima da oneomania, descrita por ele como um distúrbio mental no controle dos impulsos em lidar com dinheiro. O próprio coordenador se considera vítima da doença, o que trouxe muitos problemas para a vida financeira até ele conhecer o trabalho dos devedores anônimos, ainda em São Paulo. "Tive graves problemas de endividamento de pessoa física e jurídica, trouxe o grupo para Londrina porque não quero que meus filhos passem por isso", revela ele, que chegou a se desfazer de patrimônio pessoal para sair do "fundo do poço". Recuperado, ele garante que continua atento ao próprio comportamento para não recair. "Me livrei da compulsão e procuro me cuidar."(C.A.)





