Detran investe em ações pedagógicas
O coordenador de educação para o trânsito do Detran, Juan Ramón Soto Franco, informou à FOLHA que o governo do Estado vai investir pesado este ano em ações pedagógicas. A primeira grande ação será a implantação de uma rede de educação a distância para motoristas profissionais em 64 praças do interior. O objetivo é reunir 8 mil alunos em espaços específicos nas dependências das Circunscrições Regionais de Trânsito e através da tecnologia da videoconferência oferecer uma formação sólida para caminhoneiros, taxistas e motoristas de empresas. Serão as chamadas escolas públicas de trânsito, prevista no Código de Trânsito, mas que na prática nunca funcionou. "O Paraná vai sair na frente e se tornar um modelo para os outros", promete Franco. A previsão é que as estruturas já estejam em funcionamento em junho.
Outra ação inovadora será a distribuição de livros para professores e alunos de escolas municipais. A ideia é que as crianças matriculadas no 5º ano do ensino fundamental (antiga 4ª série) recebam noções de trânsito ao longo do ano letivo. "Queremos mudar a estratégia, não queremos que o assunto trânsito se restrinja a ações pontuais e em semanas específicas. O Detran quer que os alunos recebam noções permanentemente para que a formação seja mais sólida", explica o coordenador. Na primeira fase, serão contemplados 134 municípios. "Temos também um projeto para incluir as escolas estaduais paulatinamente neste esforço. Incluir primeiro os alunos da 6ª série e aos poucos incorporar todos os alunos dos últimos anos do ensino fundamental".
Sobre o número crescente de multas, Franco lembrou que o combate à imprudência inclui três frentes, a educação, a fiscalização e a engenharia e que as ações do poder público têm que ser simultâneas em todas elas. "O número de multas saltou porque o governo implantou uma nova política de segurança pública e equipou a Polícia Rodoviária. Em relação ao passado, temos mais homens, mais equipamentos e mais tecnologia. Hoje é possível fazer um flagrante a uma distância que tempos atrás era impossível", argumentou.
Ele disse que o número maior de multas combate a sensação de impunidade e faz com que muitos multados mudem o comportamento ao volante. "Por vezes, é preciso uma experiência traumática, como perder a habilitação, para haver a mudança", afirma.
No entanto, ele lembra que a fiscalização mais rígida só tem sentido quando paralelamente a questão da orientação e da conscientização também recebe mais atenção. "E isso vamos fazer com estes dois grandes projetos", afirmou. (L.F.M.)





