Determinação cria dúvidas e desconfianças entre patrões
Os sindicatos patronais ouvidos pela Folha destacam uma série de ressalvas em relação a Lei 9.983. Há dúvidas, por exemplo, se realmente essa legislação será capaz de criar postos formais de trabalho ou se é mais uma lei caça-níqueis.
O vice-presidente do Sindicato dos Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares de Londrina e região, Nilton Sborgi, avalia que a Lei é uma volta aos feudos. Não é para salvaguardar o emprego, mas sim, para aumentar a arrecadação, completa. Para ele, a obrigação de registrar o empregado seria mais do que suficiente para coibir a sonegação. O governo está deixando de arrecadar porque há mau uso do dinheiro público, opina. Ele acredita que o trabalho sem registro vai continuar existindo porque a lei atinge os empresários legalmente estruturados e não as empresas informais.
Opinião semelhante tem o Sindicato da Indústria da Construção Civil do Paraná (Sinduscon-PR). De acordo com o vice-presidente da entidade, Erlon Rotta Ribeiro, o problema crônico da informalidade no Brasil só será resolvido com a modernização da legislação trabalhista. O empresário está estrangulado pelos encargos e essa lei vai na contramão da história, punindo quem emprega, avalia.
Ele afirma que a informalidade no setor da construção civil é fruto da concorrência predatória de empresas não associadas ao sindicato, que atuam sobretudo em pequenas obras na periferia das cidades. Isso acaba denegrindo a imagem do setor, diz.
Já o presidente do Sindicato dos Salões de Cabeleireiros, Institutos de Beleza e Similares do Paraná, Jonas Salvino de Oliveira, revela que também é grande o número de empregados sem registro que auxiliam no trabalho dos cabeleireiros. Para trabalhar num salão, ele esclarece que o profissional tem duas opções: ou ser autônomo e pagar o ISS, o INSS e a contribuição sindical ou ser contratado como empregado com registro em carteira. Mas as pessoas, por falta de conhecimento, passam por cima disso, alega.
Recente pesquisa divulgada pelo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho aponta que o nível de emprego formal no Estado cresceu de janeiro a maio deste ano em relação à 2000. Curitiba registrou o maior crescimento do Paraná. Nos primeiros cinco meses de 2001, houve um aumento de 1.236 postos de trabalho com carteira assinada na Capital. (L.A.)





