Desvantagem social define favela
Vila, comunidade, invasão, morro, assentamento, palafita. Independentemente da denominação, Celso Athayde, fundador da Cufa, define que são favelas os espaços físicos onde vivem pessoas em desvantagem social.
De acordo com este conceito, o coordenador da Cufa no Paraná, José Antônio Campos, acrescenta que, em Londrina, enquadram-se na definição locais diversos como os seis bairros União da Vitória (zona sul) e o residencial Vista Bela (zona norte), entre outros inúmeros exemplos. ''São locais que enfrentam falta de acesso à estrutura básica de sobrevivência: educação de qualidade que suporte a demanda local, médicos para todos, esporte, lazer, asfalto, rede de esgoto... Nessas áreas, de alguma maneira, a estrutura pública é defeituosa'', aponta Campos.
Já a assistente social Sandra Cordeiro, doutoranda da UEL, utiliza a definição do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) para explicar o que são favelas. ''Caracterizam-se pelas construções de barracos em terrenos de propriedade pública ou particular, dispostos, na maioria, de forma desordenada e densa, carente de qualquer serviço público básico. Podem originar e evoluir como pontos excluídos e de modo diferenciado de um lugar para outro'', esclarece.
O conceito se aplicaria, dessa forma, a algumas partes do União da Vitória, mas não definiria, a princípio, o residencial Vista Bela, construído através do programa Minha Casa Minha Vida. A especialista, questiona, entretanto, que a população do novo bairro vive num local onde ''não tem escola, não tem creche, não tem posto de saúde e nenhum outro equipamento social necessário. Será que as famílias lá residentes, se pudessem optar, estariam submetidas a essa situação?''
Sandra avalia que o bairro ofereceu moradia à população, mas o programa desconsiderou a garantia e o exercício de direitos a essas pessoas, que deveriam encontrar condições de ocupação estáveis, o que incluiria infraestrutura e acesso a equipamentos coletivos.
Ela defende que, para apontar a presença da classe média na população oriunda de invasões e assentamentos, seria necessária uma pesquisa específica. ''No caso das pesquisas já realizadas, o que assistimos nesses locais é um processo de precarização, segregação socioterritorial e violação dos direitos''.(C.A.)





