Arquivo PessoalOutra criação do designer para quem o profissional deve ter a preocupação de contextualizar o seu trabalhoO papel do designer no processo de globalização. Esta discussão foi o principal motivo da vinda do professor mexicano Luís Alfredo Morales a Londrina, no início do mês. Morales é um dos maiores nomes do design internacional e foi convidado pela Universidade Norte do Paraná (Unopar) para dar aulas no curso de especialização em Design de Móveis e para uma palestra aberta à comunidade, promovidos pela Paraná Design e Federação das Associações do Comércio e Indústria do Paraná.
Além do curso ‘‘Metodologia do Design’’, Morales participou de uma mesa-redonda com estudantes e professores de Londrina e região para discutir o papel do designer nas indústrias de móveis. Ele resgatou a importância do design dos produtos como ponto para se obter maior competitividade. ‘‘O design é uma das ferramentas para incentivar a competitividade’’, alegou.
Em Londrina, Morales contou algumas de suas experiências no México. Um exemplo é o caso das exportações: como dar maior valor do produto mexicano e a dificuldade de colocá-lo no mercado norte-americano. O profissional já desenvolveu trabalhos com grandes empresas na tentativa de implantar o produto no mercado estrangeiro. Como aconteceu no caso da Christian Dior, quando Morales ficou incumbido de estabelecer a imagem visual da marca em móveis para o México, Caribe e norte da América do Sul. Outra experiência marcante foi o desenvolvimento do design de uma cafeteira para a Phillips.
Arquivo PessoalCadeira criada por Morales, que define a imagem da marca de móveis para México, Caribe e norte da América do Sul
Padronização Com a globalização, os mercados internos ficaram pequenos demais para o design. Tanto em aspectos culturais (identidade e dimensão cultural) como em estética e qualidade de vida. ‘‘O design tem muitas facetas. E o que mais importa às empresas é justamente o fator da competitividade’’. Para isso, o profissional tem um papel fundamental no processo.
Segundo Morales, a padronização internacional dos produtos é um efeito do início da globalização. ‘‘Mas as empresas já estão procurando soluções específicas para cada país ou região, salientando a identidade do local. Essa especificação faz parte do trabalho do designer’’, aponta.
O perfil ideal deste profissional, de acordo com o especialista, engloba alguns aspectos: ‘‘O designer tem que ser uma pessoa criativa, inovadora, que procure novas soluções para velhos problemas; tem que ter conhecimentos técnicos e sensibilidade estética, além de grande capacidade de trabalhar em equipe’’, explica.
Dorico da SilvaLuis Alfredo Morales
O ponto de partida da formação de designers são as escolas. Será que existe uma preocupação em formar este tipo de profissional? Para quê? Morales diz que essa preocupação até existe, mas às vezes há conflitos entre as linhas das escolas e dos empresários. Ele cita outra experiência ocorrida no México. ‘‘Quando as escolas começaram o curso, existia uma preocupação estética do design. Já as empresas queriam um especialista em fabricação’’. Para Morales, precisa haver um diálogo constante entre ambas as partes para o desenvolvimento do perfil ideal do designer de uma região. ‘‘Cada lugar tem seu problema, seu contexto. O diálogo, nestes casos, é essencial. As escolas têm preocupações acadêmicas que os empresários não entendem. Eles estão mais preocupados, por exemplo, com os lucros. Os interesses têm que se complementar’’, finaliza.
A intenção de Luís Morales ao discutir o assunto em Londrina foi justamente mostrar que no processo de globalização não adianta cada um caminhar para o seu lado. O designer e o empresariado são partes que se complementam.

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