DivulgaçãoTendência da Casa Cor foi o marfim, mas o consultor defende a adoção do padrão claro, mais conveniente do que esta espécie propriamente ditaComeçar a introduzir nas indústrias de móveis da região o conceito design como uma importante ferramenta dentro do processo de produção. Este foi um dos objetivos da palestra de José Merege no 1º Fórum Internacional Moveleiro, realizado em Arapongas (Norte do Estado) no mês passado. Abordando o tema ‘‘Design e Tendências no Uso da Madeira’’, ele esclareceu que a expressão - estranha à nossa língua até alguns anos atrás - não está ligada apenas a formas, mas sim a um novo conceito de produto, melhor executado e que atenda às necessidades do consumidor.
Merege, que trabalha com consultoria em design, lembrou que o Rio Grande do Sul, até por uma questão cultural, já demonstra esta preocupação há algum tempo. Ele acredita, porém, que com a concorrência dos produtos importados, fabricantes de outras regiões também estão sendo forçados a dar mais atenção a este aspecto, que tem como grandes aliados os programas de Qualidade. Para convencer da necessidade de trabalhar com o conceito, o consultor afirma que o volume de produção e a busca por preço acessível não são empecilhos para que o empresário procure qualidade e design diferenciado.
Mario CesarJosé Merege: ‘‘Hoje em dia os consumidores de qualquer faixa estão preocupados com questões como qualidade e aparência’’
‘‘Hoje em dia os consumidores, mesmo os de classes mais populares, estão preocupados com questões como qualidade e aparência, na medida em que procuram bens de maior duração’’, lembra o consultor. ‘‘Além disso, diz ele, o aumento das exportações está forçando a busca por melhores produtos, beneficiando também o mercado interno’’.
Tendências Segundo Merege, a quase ausência de uso racional da madeira no Brasil e a necessidade de buscar matérias-primas mais eficientes para determinados segmentos têm levado a tendências como o uso intenso da madeira laminada e dos plásticos em geral. Entre os materiais que surgem deste processo de aperfeiçoamento, o especialista cita o MDF (Medium Densit Fiberboard), um tipo de aglomerado mais homogêneo tanto na superfície como no interior que começa a entrar no mercado nacional. ‘‘Trata-se de um produto que permite a pintura direta e pode ser trabalhado praticamente como a madeira maciça.’’
A suavização das linhas é outra tendência do final do século também verificada em design de carros e equipamentos eletrônicos
Além do desperdício de algumas espécies de madeira, que poderiam ser melhor elaboradas, José Merege defende a revalorização de materiais como o metal e a associação de outros utilizados, por exemplo, nos segmentos automobilístico e eletro-eletrônico. Ele lembra que a indústria têxtil também está sendo reformulada, e é muito provável que, num futuro próximo, a tecnologia das fibras naturais sejam adaptadas para que possam ser oferecidas em maior e melhor oferta. ‘‘Há muito a ser explorado neste segmento’’, afirma.
No que diz respeito às madeiras propriamente ditas, o consultor lembra que a forte tendência apresentada na Casa Cor deste ano foi o marfim, o que não deixa de ser uma contradição, pois o Brasil não possui grande oferta da espécie. A maior parte do volume utilizado hoje em dia é obtido em outros países (do Paraguai, principalmente). ‘‘Na minha opinião, seria mais conveniente a divulgação do padrão claro, e não do marfim propriamente dito’’, diz Merege. Ele informa que as matas brasileiras possuem madeiras claras que poderiam ser bem exploradas, como o marfim da Amazônia, o pinho cuiabano e o marupá.
Outra tendência do setor moveleiro apontada pelo consultor é a suavização de curvas, que vem caracterizando os anos 90. ‘‘A maior influência é sempre do setor automobilístico, que já adota há algum tempo as formas arredondadas. Os modernos aparelhos eletroeletrônicos são um exemplo desta influência’’, exemplifica.

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