Alcino de Andrade Tigrinho, presidente do Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico do Estado do Paraná (Sindimetal-PR), ressalta que a falta de mão de obra especializada em alguns setores no Brasil se deve, principalmente, a dois fatores: má política educacional das últimas duas décadas e estagnação da economia. ‘‘Temos enorme dificuldade em encontrar profissionais técnicos e especializados em metal-mecânica com experiência’’, diz.
Ele aponta que a extinção dos Centros Federais de Educação Tecnológica (Cefet) resultou em um apagão brusco na formação técnica. ‘‘As escolas técnicas existentes hoje não dão conta de formar na mesma velocidade. Ao mesmo tempo, a demanda cresceu muito rápido. Num período em que a economia do País estava parada, a falta de profissionais qualificados não era percebida. Agora, com o aquecimento nos últimos anos, há necessidade tanto de mão de obra especializada como não especializada.’’
Desta forma, as empresas do setor estão se abrindo ao mercado estrangeiro, contratando profissionais de outros países. ‘‘É imprescindível essa troca para um país em desenvolvimento como o Brasil’’, considera. Os dois perfis mais procurados para as vagas, segundo Tigrinho, são os jovens recém-formados e os mais velhos em final de carreira. ‘‘Depende muito do ramo da empresa, mas os dois são os escolhidos, seja pelo espírito inovador ou pela experiência’’, sintetiza.
Para que não haja um processo de imigração em que o conhecimento seja substituído em vez de multiplicado, ele destaca a importância de investimentos maciços em educação. ‘‘Isso não é tarefa para um ou dois governos, mas de toda uma geração. Precisamos de formação voltada à necessidade do mercado brasileiro.’’ Enquanto a falta de profissionais não é solucionada, é comum a contratação de pessoas com qualificação inferior ao cargo. ‘‘As empresas, portanto, investem em treinamento desses profissionais. Para as pequenas, contudo, isso se torna muito oneroso.’’

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