DESEMPREGO - Menos esperança, mais frustração
Os mais jovens são os primeiros a sofrer com desemprego em caso de crise e os últimos a ser incorporados pelo mercado quando ocorre a recuperação econômica. O alerta é da economista Leila Rocha Pellegrino, professora da Universidade Mackenzie Campinas, para quem o cenário atual pode comprometer as expectativas de toda uma geração em relação à empregabilidade.
"O cenário compromete a esperança. É uma geração que não conhecia a crise, que tinha grandes promessas profissionais, mas não está recebendo nada disso e vai ter que lidar com um elemento de frustração importante", opina. Uma das consequências do cenário atual é que os jovens com mais possibilidades econômicas podem optar por passar mais tempo estudando e investindo em qualificação. "A gravidade é o jovem que não tem essa possibilidade e precisa enfrentar o mercado antes de terminar o Ensino Médio. Esse jovem pode acabar ingressando na informalidade e vai ter muita dificuldade para se formalizar no futuro", acredita.
Com isso, ela avalia que a concentração de renda vai se agravar, pois grande parte da juventude brasileira não conseguirá se defender. "Pode haver uma piora nos indicadores de desigualdade, potencializando até mesmo a violência", lamenta, lembrando que o prejuízo econômico de uma população subocupada é ruim para a geração de renda, mas o cenário causa também danos psicológicos para a juventude, que pode ficar com sentimento de frustração e impotência. "A geração que entra agora no mercado possivelmente será menos confiante, pois as oportunidades são menores", afirma.
Leila opina que os jovens já estão percebendo piora na quantidade e na qualidade da oferta de emprego. "Isso compromete a capacidade de ousar, o espírito empreendedor da juventude no trabalho", lamenta.
Para quem está pensando agora sobre qual profissão escolher, a professora aconselha a focar na boa qualificação. "Não adianta ir para uma área com a qual não tenha afinidade só porque o setor parece ter mais oportunidades. Quando anunciam as áreas promissoras, muita gente vai para elas, que acabam inflando. E aí o que era oportunidade deixa de ser", diz. Por isso, ela reforça que, dentro da área de preferência, o melhor é investir na qualidade do trabalho que pode oferecer para garantir com isso melhores oportunidades. "Jovens devem buscar excelência do ensino, de qualificação e ter atitude alinhada com o mercado do trabalho, para melhorar a empregabilidade." (C.A.)





