Desconhecimento da lei é
um dos graves problemas
Para aqueles que possuem uma renda mínima e podem iniciar o próprio negócio, talvez seja mais fácil superar as dificuldades de uma deficiência física.
Mas a situação se complica quando a pessoa não tem condições financeiras e a deficiência é mental.
A pessoa com limitação intelectual é muito mais difícil de ser aceita no mercado de trabalho, em comparação com aquela que tem uma deficiência física, segundo a coordenadora do setor profissionalizante da Associaçõa de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE) de Londrina, Maria Helena Rubim.
Segundo a coordenadora, hoje são sete alunos empregados e dois em estágios. Ela não atribui à discriminação a dificuldade de inserir o deficiente mental no mercado de trabalho, mas sim, à falta de informação sobre a potencialidade destas pessoas para o trabalho.
Maria Helena afirma que normalmente a equipe do setor profissionalizante é bem recebida nas empresas, mas na hora de conseguir o estágio e a contratação há mais resistência.
A lei federal 8.214, que determina que as empresas destinem um percentual de vagas para deficientes (confira quadro abaixo), segundo ela, é praticamente desconhecida pelas empresas. Ou, em alguns casos, ignorada.
‘‘Por isso sempre levo a lei comigo, mas para informação e não como instrumento de exigência para contratação’’, explica.
Na opinião da coordenadora, os empresários de Londrina estão em fase inicial de conscientização. ‘‘Esta é uma luta constante’’.
O aluno da APAE com deficiência moderada começa a ser preparado para o mercado de trabalho a partir dos 14 anos, com aulas sobre assiduidade, respeito aos superiores, responsabilidade e pontualidade.
Na preparação são incluídas também aulas técnicas de marcenaria, auxiliar de cozinha, empacotador, jardinagem, serviços de manutenção e outros.
Maria Helena explica que não existe um tempo específico de preparo. Tudo depende do potencial e da capacidade de cada um.
‘‘Alguns alunos em seis meses estão preparados, outros levam cinco anos’’, afirma. ‘‘Nós sugerimos à empresa um estágio de três meses para que depois, caso a pessoa se adeque à função, seja feita a contratação’’. (Érika Pelegrino)

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