DESAPARECIDOS - Sicride investiga casos mais recentes
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sábado, 30 de maio de 2015
Carolina Avansini<br> Reportagem Local 
No Paraná, a esperança das famílias de crianças e adolescentes desaparecidos concentra-se no trabalho da delegada Nilceia Ferraro da Silva, responsável pelo Serviço de Investigação de Crianças Desaparecidas (Sicride). À frente da delegacia especializada desde o início do ano, ela está investigando atualmente três casos mais recentes que ainda são possíveis de gerar evidências. O mais recente é o do menino João Rafael Santos Kovalski, que sumiu da própria casa em Adrianópolis, aos 2 anos de idade, em agosto de 2013. Outra investigação é sobre Stefani Vitória Rochinski, que desapareceu aos 10 anos, em 2012, a caminho da escola em Porto Amazonas. Por fim, a delegada cita o desaparecimento de Vivian Florêncio, que sumiu no mesmo dia em que a mãe foi assassinada, em 2005. O pai da criança chegou a ser condenado pelo homicídio, mas a defesa recorreu e ele aguarda nova decisão em liberdade.
A delegada destacou que, apesar de ter havido registro de 254 casos de desaparecimento de crianças no ano passado, todos foram solucionados. Permanecem sem solução 24 histórias registradas desde que a delegacia foi criada, em 1995, motivada pelo desaparecimento do garoto Guilherme Caramês Tibúrcio, que estava andando de bicicleta perto de casa, em 1991, e nunca mais foi visto. A mãe de Guilherme, Arlete Caramês, se dedicou à militância em prol das crianças desaparecidas e chegou a ser vereadora em Curitiba e deputada estadual no Paraná. Guilherme, entretanto, nunca foi encontrado. Seu nome permanece na lista dos desaparecidos do Sicride.
Nilceia explica que a grande maioria de desaparecidos na verdade fugiu de casa. Outro problema comum, segundo ela, é que os pais acusam o sumiço e depois a criança acaba sendo encontrada já sem vida em córregos próximos de casa.
Entre os casos de desaparecimento confirmado, a grande maioria ocorre em lugares conhecidos, como a volta da escola, o trajeto para a casa da avó ou alguma atividade rotineira. "No interior, principalmente, onde há uma aparente tranquilidade, as crianças ficam mais tempo sozinhas", diz. Por isso, ela alerta sobre a importância de não "descuidar". "Os sequestradores sabem como ganhar confiança. É importante alertar que o perigo pode estar em uma pessoa bem vestida, com um cachorrinho bonitinho, que pareça ser legal", adverte.
Esclarece, também, que as investigações são concluídas quando a criança é encontrada viva ou morta ou quando, depois de anos, não há qualquer indício sobre o que aconteceu. "No caso de encontrar apenas o corpo, vamos investigar o homicídio", acrescenta.
Infelizmente, o índice de resolução que termina com a identificação da criança viva é muito baixo. "Quanto mais o tempo passa, mais difícil fica. Por isso insistimos na necessidade de investir na prevenção", comenta. A orientação é conversar com os filhos sobre os riscos e reforçar que nenhum ambiente é totalmente confiável. "As crianças precisam ser ensinadas a relatar fatos estranhos e orientadas a andar sempre acompanhadas, mesmo que seja por um amiguinho", explica.
A professora Lorena Cristina Conceição Santos, de 34 anos, mantém vivos na memória todos os detalhes do dia em que viu pela última vez o filho João Rafael Kovalski, que desapareceu aos 2 anos, em 2013, em Adrianópolis. O menino brincava no quintal da casa da avó com a irmã gêmea Poliana, enquanto os pais estavam dentro da casa ajudando com serviços domésticos. Os irmãos mais velhos estavam na casa da família, que fica ao lado. Num determinado momento, a avó viu João Rafael indo em direção à casa e avisou Lorena. Em questão de instantes, a mãe foi atrás do filho, mas nunca mais o encontrou.
No mesmo dia, os bombeiros que vieram de Curitiba e chegaram cinco horas depois fizeram uma busca em um córrego próximo, mas nenhum corpo foi encontrado. De concreto, ela cita que algumas pessoas insinuaram que havia um homem interessado em levar o menino para outra família criar.
"Procurei a polícia, mas eles disseram que só poderiam começar as buscas depois de 48 horas. Até hoje não me dão respostas", lamenta ela, que acredita que o filho possa ter sido "vendido".
"É muito difícil aceitar, eu só quero saber o que aconteceu. Cheguei a pensar que seria mais fácil se tivessem encontrado o corpo no rio", desabafa.
Por jamais ter perdido a esperança, Lorena mantém contato constante com a polícia e cobra mais definições sobre o caso. "Preciso de uma resposta, seja ela qual for, para voltar a ter paz e sossego dentro de mim."


