DESAFIOS PARANÁ - Serviços de excelência e superlotação
O Hospital Universitário (HU) de Londrina, vive uma realidade de extremos. Ao mesmo tempo em que oferece serviços de excelência em unidades como as de Transplante de Medula Óssea, Hemodinâmica e Centro de Tratamento de Queimados (CTQ), enfrenta as limitações diárias de um pronto-socorro superlotado e os impactos destas condições na qualidade do atendimento. "Temos o desafio de buscar constantemente a manutenção da prestação de um serviço seguro e de qualidade à população, oferecendo equipamentos e mão de obra qualificados dentro de limites econômicos sempre presentes", afirma a superintendente da instituição, Elizabeth Silva Ursi. Ela lembra que o HU vem se transformando, de certa forma, em um hospital de urgência.
Entre os "inúmeros e complexos" desafios do HU também estão, na opinião da superintendente, o de equilibrar suas duas grandes missões - a educacional e a de prestação de serviços - de tal forma que uma não atrapalhe a outra. "As condições para o aprendizado do aluno requerem tempo, espaços e interlocutores mais longos e pacienciosos que os de um hospital comum, o que certamente aumentam os custos dos atendimentos. Mas de outro lado temos a necessidade de manter uma produção de atendimentos (prestação de serviços) num volume suficiente para manter a solvência da instituição, com pressão do gestor municipal e também do Ministério Público, pelo impacto do hospital no sistema público de saúde", detalha Elizabeth.
A superintendente lembra ainda que o hospital precisa constantemente tratar de suas dificuldades com múltiplos interlocutores. "Não detemos a governabilidade sobre reposições de trabalhadores aposentados ou exonerados (papel da Secretaria Estadual de Ciência e Tecnologia), nem sobre nosso orçamento (papel das secretarias de Fazenda e Planejamento), nem sobre a ampliação/equilíbrio entre produção de serviços prestados e recebimento integral dos valores (gestor municipal). Simplificando: a autonomia que temos é parcial", argumenta.
Apesar das dificuldades, o HU de Londrina atende pacientes de praticamente todo o Estado, com exceção de Curitiba e Região Metropolitana. Só em 2013 foram 202.489 atendimentos. Deste total, 57 mil eram pacientes de outros municípios. Elizabeth Ursi destaca, porém, que mais que aumentar o número de atendimentos de um ano para o outro, vem sendo registrado um aumento significativo na gravidade dos pacientes e, portanto, na complexidade dos atendimentos. O Estado conta ainda com hospitais universitários em Maringá, Cascavel e Ponta Grossa. Pelo menos nos três mais antigos (Londrina, Maringá e Cascavel) a superlotação e falta de leitos são problemas crônicos. (S.L.)





