DESAFIOS DO PARANÁ - Tráfico e corporativismo são obstáculos
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sábado, 12 de julho de 2014
Fábio Galão<br> Reportagem Local 
"O que a população paranaense espera é que os candidatos ao governo apresentem propostas para diminuir o drama na área de segurança pública. Entre 2000 e 2010, o número de assassinatos no Paraná aumentou 86%. Embora tenha ocorrido uma queda nos números nos últimos dois anos, o cenário da violência nas grandes cidades continua preocupante. Os índices em Curitiba, Região Metropolitana e na área de fronteira são desproporcionais até em relação a São Paulo e Rio de Janeiro", diz o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil no Paraná (OAB-PR), Juliano Breda.
Ele destaca que várias ações integradas são necessárias, como o investimento em polícia judiciária e estrutura para os organismos oficiais de segurança, mas considera que o eixo prioritário da política da área deve ser a repressão ao tráfico de drogas, especialmente o crack.
"Nas nossas visitas e trabalhos de campo em delegacias e presídios, o que vemos é que quem não está preso por tráfico está detido por algo relacionado, como um acerto de contas", afirma Breda.
O advogado aponta que essa política precisa passar por prevenção ao uso da droga, programas de redução de danos e tratamento dos usuários e ações de repressão ao grande traficante. "Os candidatos precisam apresentar programas de enfrentamento viáveis, com parceria com os municípios e o governo federal", recomenda.
Pedro Rodolfo Bodê de Moraes, coordenador do Grupo de Estudo da Violência da Universidade Federal do Paraná (UFPR), elogia iniciativas do governo do Estado na área de segurança pública, como a recente criação da Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa, mas acredita que essas ações são "pontuais" e que a estrutura estadual no setor sofre com corporativismo e arcaísmo das instituições.
"Na esfera estadual, a situação é a mais complicada. É onde está concentrada a maior parte dos sistemas de segurança pública e da justiça criminal. E é onde está localizado o maior arcaísmo do sistema: há duas polícias, que concorrem entre si, uma deles militarizada, que é boa para reprimir, mas não para a prevenção de crimes", critica.
"O que tem sido demonstrado na prática é que os governadores são reféns. Desde a (volta da) democracia, é curioso notar como muitos governadores colocaram como secretários de segurança pessoas que eram do Ministério Público, porque não podiam colocar um delegado ou um policial militar, porque (as corporações) brigariam entre si. Depois, começou a época dos secretários que eram delegados da Polícia Federal", relata Bodê. "Os governos passam, mas a estrutura das duas corporações se mantêm."
O professor argumenta que combater esse corporativismo e estimular a "sinergia" entre as forças de segurança são grandes desafios do próximo governador na área de segurança pública. Uma ação correlata, diz Bodê, é "continuar avançando nas políticas sociais". "Nas esferas municipal, estadual e federal, houve avanços significativos, mas o 'deficit' era tão grande que ainda estamos longe de chegar ao ideal", afirma.
Flávio Montenegro Balan, membro do conselho deliberativo da Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil), entidade que em 2012 criou o Núcleo Permanente de Segurança Pública de Londrina e Região, acredita que houve evolução na área no Paraná nos últimos anos. "O efetivo era menor que o de 1982, e foram feitas contratações, a estrutura melhorou", afirma.
Balan aponta que houve diálogo com entidades representativas da sociedade civil, o que na sua opinião resultou em criação de novas unidades e valorização de pessoal do interior como na nomeação do coronel César Vinícius Kogut, de Londrina, para o comando geral da Polícia Militar. "Agora, o que ainda precisa ser aperfeiçoado é o treinamento de efetivo, o consumo e a gestão da frota, para que fique menos tempo parada, mais investimentos em inteligência e mais pessoal em cidades menores", diz o empresário.


