O engenheiro eletricista Luiz Carlos Correa Soares, assessor da presidência do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (Crea-PR), publicou este ano o livro "Uma Contribuição para Planos de Desenvolvimento do Paraná", parte de um projeto chamado Paraná Futuro e que traz um diagnóstico do Estado e sugestões de melhorias em várias áreas.

Na parte de infraestrutura, Soares traça várias diretrizes para o futuro: ampliação dos investimentos em pesquisas e estudos em energias renováveis; aperfeiçoamento de faixas, duplicação e construção de novas vias no transporte rodoviário; recuperação de ramais ferroviários inoperantes e separação de vias de cargas e passageiros; ampliação de calado em hidrovias e implantação de dispositivos de transposição de barragens; construção de terminais intermodais; criação de um plano estadual de saneamento básico, que possa ser desdobrado para planos municipais.

"Em alguns aspectos, o Paraná está melhor do que o resto do Brasil. Na parte de energia, por exemplo, estamos muito bem. É o terceiro Estado produtor de energia", disse Soares, em entrevista à FOLHA. "Agora, na questão de transportes, estamos mal como todo o País. Precisa haver uma mudança de ponto de vista. O transporte por pneus está perto da exaustão. Outros aspectos e modais têm que ser considerados."

O engenheiro concorda que iniciativas isoladas do Governo do Estado não seriam suficientes na infraestrutura de transportes, e qualquer política na área precisa passar por interlocução com outras esferas de poder.

"Não podemos fechar nossas fronteiras e nos isolar no nosso pequeno mundo. Tem que haver uma integração de modais, e isso passa por ligações interestaduais e inter-regionais", argumenta. "Precisamos ter uma visão clara do que temos e do que precisamos. Não devem ser (estabelecidos) planos de governo, mas planos de Estado. São ações que extrapolam o período de um mandato. Exigem uma visão mais ampla."

Filinto Jorge Eisenbach Neto, professor do curso de Administração da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR), aponta que "o Brasil como um todo precisa entender a logística".

"O custo logístico no resto do mundo é infinitamente menor porque outros países enxergam o setor como um todo. Existe uma sinergia intermodal. Se é melhorado o sistema ferroviário, você precisa de menos investimentos em rodovias. Da mesma forma se houver investimento em portos secos e armazenagem, e assim por diante", explica. "Ao mesmo tempo, é necessário melhorar os sistemas de informação, do fluxo de dados sobre movimentações de carga, por meio dos quais se gerencia a informação enquanto a mercadoria está em trânsito. Isso diminui filas e gargalos."

Eisenbach afirma que a administração estadual, além de investir em infraestrutura de transportes própria, precisa buscar integração com outros Estados, especialmente os vizinhos Santa Catarina e Rio Grande do Sul, para "utilização dos corredores de exportação".

Quanto ao fornecimento de energia elétrica, o professor argumenta que o Paraná, como todo o Brasil, precisa aumentar a oferta, "porque a tendência é expandir e interiorizar a indústria", mas lembra que o Estado, com Itaipu e as usinas da Copel, já é um dos principais geradores de energia por meio de hidrelétricas. "A solução poderia estar em fontes alternativas, como a eólica", diz.

A respeito dos recentes problemas de racionamento de água (veja texto nesta edição sobre os problemas registrados em reportagens da FOLHA), especialmente no Norte do Paraná, Eisenbach cita que há "questões conjunturais" que influenciam o abastecimento, como as mudanças climáticas. "É preciso fazer o planejamento dentro desse cenário", justifica.

Euclésio Finatti, vice-presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Paraná (Sinduscon-PR), cita que "nos últimos 20 anos, muito pouco foi feito em infraestrutura básica", e cobra investimentos em estrutura de transportes e energia. "O Brasil vem crescendo 2% ao ano. Se estivesse a um patamar de 3,5%, 4%, provavelmente teríamos alguns apagões", afirma. "O que falta é planejamento. Fontes de financiamento existem, até em nível internacional, desde que o projeto seja bom."

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