O Departamento de Estradas de Rodagem do Paraná (DER-PR) é responsável pela manutenção de 9,7 mil quilômetros de rodovias pavimentadas, entre vias estaduais e delegadas pelo governo federal. Destes, 9,6 mil, ou 99%, são em pista simples.

Em diferentes regiões do Paraná, comunidades se mobilizam para cobrar a duplicação de estradas administradas pelo Governo do Estado. Uma das obras reivindicadas é o trecho de 135 quilômetros da PR-092, entre Jaguariaíva, nos Campos Gerais, e Santo Antônio da Platina, no Norte Pioneiro.

"Precisava duplicar. O tráfego está demais. A gente ouve falar que vai duplicar, que vai sair verba para a obra, mas por enquanto nada", diz o produtor rural Natalino de Jesus, que mora em Santo Antônio da Platina há 40 anos. Ele afirma que passa pela PR-092 "todo dia". "Aqui tem muito acidente", lamenta.

A família de Vinícius Ferrari tem uma pequena venda às margens da PR-092, em Joaquim Távora. "Tem muito movimento aí. Muitos caminhoneiros que passam por aqui reclamam. Eles querem pelo menos acostamento, porque aqui não tem como parar", relata.

Em maio, moradores da região criaram uma página no Facebook chamada "PR-092 Duplicação Já", que traz informações sobre a necessidade da obra e sobre acidentes que acontecem na rodovia.

O Governo do Paraná alega que está realizando um grande programa de duplicação de rodovias, que deve fechar 2014 com 265 quilômetros duplicados ou em fase final de obras. A duplicação do trecho da PR-092 entre Jaguariaíva e Santo Antônio da Platina, porém, ainda está em fase de estudos.

Com o tema infraestrutura, a FOLHA encerra hoje a série de reportagens "Desafios do Paraná", que visa debater áreas que devem ser prioritárias para o próximo governador do Estado.

Nelson Costa, superintendente adjunto da Organização das Cooperativas do Estado do Paraná (Ocepar), aponta cinco eixos rodoviários prioritários para obras de duplicação no Estado nos próximos anos: a PR-323, entre Maringá e Francisco Alves, em que uma parceria público-privada está sendo viabilizada, a PR-092, entre Jaguariaíva e Santo Antônio da Platina, a PR-445, entre Londrina e Mauá da Serra, a PR-280, de Barracão a Palmas, e a Rodovia dos Minérios, de Curitiba a Rio Branco do Sul (para esta, também há negociação para uma PPP).

"No Anel de Integração (principais trechos rodoviários do Estado, cedidos a concessionárias), foi sinalizada a intenção de renegociar os contratos, mas isso não foi encaminhado. Temos necessidade de aceleração das obras. Outra pendência é a questão tarifária. O setor produtivo entende que as tarifas são altas, considerando que a maioria das rodovias não é duplicada", critica. Outra ação necessária, segundo Costa, seria a ampliação do programa de patrulhas do campo, que promove melhorias em estradas rurais.

Ele argumenta que a possibilidade de atuação do Governo do Estado é restrita para ações importantes em outros modais. "O Paraná não administra aeroportos. Eles são responsabilidade da Infraero (estatal federal) ou dos municípios", afirma o superintendente.

"No transporte ferroviário, há necessidade da ligação de Maracaju (MS) a Paranaguá, que passa por um trecho da Ferroeste (administrada pelo
governo estadual). Teria que haver um acordo com o governo federal para haver uma cessão de uso para que a União faça investimentos nesse trecho da Ferroeste. Essa ferrovia será em bitola larga, e a Ferroeste, entre Guarapuava e Cascavel, tem bitola estreita. Esse acordo é uma reivindicação da Ocepar", acrescenta.

"Quanto aos portos, os investimentos não cabem ao governo paranaense. Com a nova lei portuária, apesar do Estado administrar (os terminais de Paranaguá e Antonina), toda a gestão de investimentos está na Secretaria de Portos (da Presidência da República), e está tudo parado devido à questão judicial dos portos de Santos e do Pará, então tudo depende do Tribunal de Contas da União. O Governo do Paraná faz investimentos pontuais, mas no fim tem pouca ingerência", aponta o superintendente.

Dessa forma, Costa acredita que o grande desafio do próximo governador será agir politicamente para que os gargalos em outros modais além do rodoviário sejam resolvidos. "A grande interlocução é para que o Estado interceda junto ao Ministério dos Transportes e à Secretaria dos Portos para que as obras de infraestrutura sejam feitas no Paraná", analisa.

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