DESAFIOS DO PARANÁ - Formação de professores é tarefa a ser vencida
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sábado, 05 de julho de 2014
Carolina Avansini<br> Reportagem Local 
Uma política consistente para formação continuada de professores, capaz de preparar os profissionais para lidar com as especificidades dos alunos contemporâneos. Para a professora Adriana Regina de Jesus, doutora em Educação e docente da Universidade Estadual de Londrina (UEL), este será um dos principais desafios do próximo governador ou governadora do Paraná. Segundo ela, as atuais políticas proporcionam formação pedagógica, mas não levam os professores a refletirem sobre o cotidiano da escola, os desafios da sociedade atual e a relação com os chamados nativos digitais, cuja vida é pautada pela tecnologia.
Com experiência na Educação Básica, Adriana defende um programa de formação articulado entre o Ensino Superior e as outras modalidades, de modo a levar informação e conteúdo aos docentes na própria escola, enquanto estão em serviço. "A destinação de um terço da carga horária às horas-atividades é uma boa oportunidade para repensar a formação continuada", acredita.
O Programa de Desenvolvimento Educacional (PDE), que permite aos professores se afastarem da sala de aula para estudar, é considerado por ela ineficiente. "Não existe acompanhamento da aplicabilidade do processo. Deveria haver uma política de avaliação para verificar se os benefícios da formação chegaram ao cotidiano da escola", observa.
A especialista defende também a formatação de um projeto educacional descolado dos partidos que se revezam no poder, que proporcione diálogo entre todas as modalidades de ensino, da Educação Infantil ao Ensino Superior. Esta política poderia superar um dos gargalos da educação no Estado: o Ensino Médio. "O modelo atual não serve para nada, pois não prepara para o vestibular e nem para o trabalho. Os adolescentes não entendem a finalidade desta etapa e acabam evadindo", afirma, confirmando o que está expresso nas estatísticas que apontam 40% de jovens até 19 anos sem conclusão do Ensino Médio no Paraná.
Para Adriana, um projeto educacional eficiente precisa pensar no aluno como sujeito, independentemente da orientação de cada governo. "A reestruturação do Ensino Médio é urgente", afirma ela, que chama a atenção também para os reflexos da desigualdade social que reflete em menos anos de estudo para os mais pobres. "O projeto de educação deve ser popular", afirma, lembrando que a implantação de programas como a Educação Integral, por exemplo, depende da intenção de alocar recursos para esta finalidade, investindo em estrutura e na reestruturação dos currículos. "Educação não pode ser vista como despesa, mas como investimento", acredita.
Doutora em Educação na área de Gestão, a vice-reitora da Universidade Estadual de Maringá (UEM), Neusa Altoé, alerta para outra consequência da evasão escolar no Ensino Médio: a falta de mão de obra com qualificação mínima para o mercado de trabalho. "Com a possibilidade de fazer o Enem e obter o diploma, muitos jovens saem da escola e vão trabalhar, mas não recebem formação adequada para o mercado", acredita.
Neusa concorda que a qualificação dos professores é essencial para provocar mudanças mais profundas na Educação, o que depende, também, de investimentos no Ensino Superior, onde são oferecidas as licenciaturas que qualificam os profissionais para o magistério. "O Estado tem sete universidades estaduais distribuídas pelo interior, mas faltam recursos para melhorar a estrutura e repor o quadro efetivo de professores, que estão se aposentando. A universidade tem que ser pública, gratuita e de qualidade, com expansão de vagas públicas, mas falta dinheiro para custeio", critica.
A Secretaria de Estado de Educação informou que firmou parceria com o Ministério da Educação (MEC) para a formação continuada de professores que lecionam no Ensino Médio, com o objetivo de fortalecer esse nível de ensino. As capacitações iniciaram em maio e são ofertadas em parceria com as sete universidades estaduais do Paraná e com a Universidade Federal do Paraná (UFPR) e a Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR).


