Um ano depois da tragédia, o cenário já é bem diferente no Japão com a reconstrução de estradas e encostas. Mas ainda há lembranças bem nítidas, como as montanhas de entulho que ocupam os espaços públicos e o desafio agora é eliminar esses resíduos e restabelecer as condições de vida da população.
Segundo Lilian Yamamoto, 31 anos, que retornou da capital Tókio em dezembro de 2011, o governo japonês têm tido dificuldades financeiras para reconstruir o país e, por isso, meses depois do desastre, aprovou uma lei para arrecadar impostos.
''Algumas coisas ficaram mais caras. Outro fato que deve ser considerado é que não está havendo muito consenso entre os governos locais sobre os planos de reconstrução e a questão da radioatividade tem sido encarada com certa despreocupação por muitos japoneses. As pessoas continuam consumindo verduras, leite e outros produtos vindos de Fukushima'', conta ela, que durante seis anos, fez mestrado e doutorado em Direito Internacional na Universidade de Kanagawa.
Lilian explica que como o nível de radiação desses produtos é considerado aceitável pelo governo japonês, as pessoas continuam consumindo sem saber a real consequência daqui a 20, 30 anos. A estudante também observa que, após o tsunami, autoridades japonesas têm se baseado em estimativas sobre o próximo desastre natural de igual proporção ao do ano passado.
''Na verdade, não se tem uma estimativa concreta. Alguns dizem que será nos próximos cinco anos e outros, que pode acontecer a qualquer hora'', revela ela, ao ressaltar que para isso, o Japão tem investido mais em treinamentos de evacuação e em tecnologias tanto em monitoramento quanto na construção civil, visando evitar que outras vidas se percam com a fúria da natureza. (M.O.)

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