DESAFIO - Computador tem, mas alunos não usam
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sábado, 09 de março de 2013
Silvana Leão <br> Reportagem Local 
Imagine uma instituição de ensino que atende quase 900 alunos de uma região carente, onde existe um laboratório de informática montado, mas que não pode ser utilizado pelos seus principais interessados. Esta é a realidade da Escola Estadual Dom Geraldo Fernandes, em Cambé (norte). Ali a precária rede de energia não comporta o uso simultâneo de vários aparelhos elétricos e eletrônicos, metade das máquinas precisa de reparos, faltam professores e não há recursos para conserto dos equipamentos. A sensação, de acordo com relatos ouvidos pela reportagem, é que o caminho a ser percorrido para chegar à escola pública ideal e bem equipada é longo.
''Faz muito tempo que esta escola tem bastante problema, desde a época que as minhas filhas estudavam aqui'', conta uma moradora da região. Atualmente ela tem um neto matriculado na instituição, e acompanha de perto os sufocos enfrentados pelo adolescente para conseguir entregar os trabalhos escolares em dia. A família não tem computador em casa e, na escola, os equipamentos raramente estão disponíveis.
''No começo do ano a gente nunca consegue usar os computadores, porque falam que estão em manutenção. Depois de um tempo a gente até consegue usar, mas tem que ser com horário agendado, fora do horário de aula'', conta o garoto. Na semana passada ele recorreu a um amigo para tentar usar a internet e imprimir o trabalho pedido por um dos professores, mas não deu certo. Diante do impasse, a vó chegou a cogitar que a filha da patroa, que estuda na mesma série, fizesse a pesquisa pelo seu neto. Mas por fim, o adolescente optou por fazer o trabalho da forma tradicional, anotando em uma folha de papel as informações obtidas na biblioteca da escola e correndo o risco de perder nota pelo fato de o texto não ter sido digitado e impresso.
De acordo com informações apuradas pela reportagem, o sistema elétrico do prédio onde está instalada a escola não suporta a carga gerada por todos os equipamentos ali existentes. Na noite da última segunda-feira, alunos e professores ficaram no escuro depois que quatro computadores foram ligados no laboratório de informática, derrubando toda a rede. Dos 32 equipamentos existentes, metade não estaria funcionando por depender de reparos. A diretora do colégio, que atende 900 alunos dos ensinos fundamental, médio e Educação de Jovens e Adultos (EJA), não quis falar sobre o assunto.
No Colégio Estadual Olympia Moraes Tormenta, localizado no Conjunto João Paz (zona norte de Londrina), os 1,8 mil alunos também não contam com computadores para fazer suas pesquisas escolares e apreenderem mais conteúdo. A escola até tem um laboratório de informática, com cerca de 40 computadores, mas também ali sobram problemas. O maior deles, segundo o diretor geral Antonio Marcos Rodrigues Gonçalves, é a falta de um profissional em informática para dar suporte aos professores, que em muitos casos não têm conhecimento técnico para resolver questões relacionadas ao funcionamento dos equipamentos. Segundo Gonçalves, o uso do laboratório é feito, na maioria das vezes, pelos professores para fazer pesquisas e preparar aulas.
A diretora auxiliar, Maria do Carmo Ambrozio, informa que apenas 10 computadores estão funcionando, e mesmo assim são lentos e dão bastante problema. ''Temos outro laboratório de informática na escola, montado pelo ProInfo (Programa Nacional de Tecnologia Educacional) para uso dos professores, mas lá os computadores são mais lentos ainda'', argumenta a diretora. Ela explica que atualmente os docentes que utilizam o laboratório montado originalmente para os alunos contam com o apoio de uma professora de educação física readaptada, afastada de suas funções originais por problemas de saúde. A presença da professora tem servido, por exemplo, para esclarecer dúvidas sobre o sistema Linux, utilizado pelo governo no lugar do mais conhecido Windows.
Maria do Carmo lamenta que os recursos tecnológicos não possam ser utilizados com mais frequência na instituição. ''Nas vezes que consegui trazer os alunos para cá, percebi que o rendimento e a atenção por parte deles foram muito maiores.'' Entre os alunos, o sentimento é o mesmo. ''A gente tem que fazer todas as pesquisas em casa. Se tivesse como usar os computadores aqui seria melhor, porque o professor poderia orientar a gente'', reclama Erick de Paula Oliveira, de 11 anos, aluno do 7º ano.


