Curitiba - Em paralelo às investigações do caso Tayná, o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e a Corregedoria-Geral da Polícia Civil apuram as denúncias de tortura praticadas contra os quatro suspeitos que ficaram presos por 19 dias, acusados de estarem envolvidos no assassinato da adolescente.
Ao todo, 14 pessoas tiveram o mandado de prisão expedido na última quarta-feira, entre eles 10 policiais civis (sendo um delegado) e um policial militar. A ocorrência ganhou repercussão nacional e, segundo os depoimentos dos quatro rapazes, as agressões e sessões de tortura ocorreram em pelo menos três locais: Delegacia de Alto Maracanã, em Colombo; e nas delegacias de Araucária e de Campo Largo.
Conforme Denilson Soares de Almeida, promotor do Gaeco, as notícias sobre violência policial são frequentes, entretanto os casos envolvendo tortura são mais raros. Em cinco anos, dez denúncias concretas sobre a prática de tortura policial chegaram até o núcleo do Gaeco de Curitiba e região. O órgão também confirmou que, desde 2010, 28 policiais civis, militares e agentes de segurança pública foram denunciados por tortura. A informação foi repassada nesta semana. O Gaeco também possui unidades em Londrina, Maringá, Foz do Iguaçu, Cascavel e Guarapuava, mas os dados levantados se referem apenas às denúncias na Grande Curitiba.
‘’As notícias sobre abusos policiais ocorrem com frequência. Os casos de excesso e corrupção são mais comuns. Mas é bom frisar que nem todo fato noticiado se concretiza numa investigação que vai chegar à afirmação desta acusação. Situações específicas que caracterizam tortura são mais raras. Não é todo dia que observamos isso, porém também não é algo que ocorre somente uma vez por ano’’, disse.
O promotor também ressalta que é importante deixar claro que são casos minoritários tanto na Polícia Civil como na Polícia Militar. ‘’Não podemos de maneira alguma generalizar, porém as ocorrências não são casos isolados. Durante muito tempo existia um senso comum de que a PM era violenta e a Civil era corrupta, mas nossa experiência aponta que não podemos fazer diferenciação entre uma ou outra instituição’’, afirmou.
Segundo Denilson, também não existem informações de que uma determinada delegacia da região seja mais violenta do que outra unidade, até porque de tempos em tempos é promovido um rodízio tanto dos policiais quanto dos delegados.

Execuções
O promotor lembra ainda que, por muitas vezes, execuções acabam sendo noticiadas como confrontos policiais. Ele ressalta que, por isso, é importante que cada vez mais órgãos fiquem de olho nestas situações, principalmente entidades da sociedade civil. ‘’Uma pessoa pode ter sido dominada e às vezes até torturada, mas tudo é ocultado por uma execução. Só vamos saber da realidade da ocorrência depois de um trabalho minucioso de apuração, onde acaba se descobrindo que determinada pessoa não morreu num confronto’’, disse.
Proteção
Os quatro suspeitos do assassinato da adolescente Tayná - Adriano Batista, de 23 anos, Sérgio Amorin da Silva Filho, de 22, Paulo Henrique Camargo Cunha, de 25, e Ezequiel Batista, de 22 -, que alegam terem sofrido torturas em mais de uma delegacia, foram incluídos no Programa Federal de Proteção a Vítimas e Testemunhas Ameaçadas, na noite da última terça-feira, um dia depois de saírem da Casa de Custódia de Curitiba (CCC). ‘’A participação deles no crime ainda não foi totalmente descartada. Entretanto, no caso de tortura, eles são vítimas e, por isso, foram incluídos no programa’’, completou o promotor.

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