DENGUE - Focos escondidos em lugares inusitados
PUBLICAÇÃO
sábado, 04 de abril de 2015
Vítor Ogawa<br> Reportagem Local 
Quando o afiador de equipamentos industriais Adilson Gheno publicou um vídeo em que perfura um cano que serve de haste para uma placa de trânsito no município de Dois Vizinhos (Sudoeste), ele não imaginava que o assunto teria tanta repercussão. O vídeo alerta que esses canos acumulam água, algo que em tempos de preocupação com a dengue e febre chikungunya deve ser evitado.
"Eu estava na frente do estabelecimento comercial de um amigo meu e ele me alertou sobre isso. Como eu estava com a furadeira, resolvi perfurar o cano e gravar o vídeo." O que se viu na sequência foi um esguicho forte de água, o que comprovou que o local é um potencial criadouro de mosquitos. Logo o vídeo extrapolou os limites da cidade e superou 4,6 milhões de visualizações. "Meus amigos passaram a curtir e compartilhar o vídeo no Facebook e até o prefeito veio me parabenizar pela iniciativa", destacou.
A coordenadora de Endemias da Secretaria Municipal de Saúde de Londrina, Diana Martins, não chegou a ver o vídeo, mas admitiu que o município também pode sofrer do mesmo mal. "Nós temos mais de 20 mil placas em Londrina, mas não sei qual o percentual desses suportes para placas possui tampas ou não. Até hoje não encontramos nenhum deles com focos de mosquitos Aedes aegypti. Já solicitamos à Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) que colocasse tampas."
Diana admitiu que não é improvável que focos de mosquito apareçam ali, pois o mosquito da dengue se adapta para sobreviver. Segundo ela, esses suportes de placas de trânsito não são os únicos locais que podem acumular água. Ela observou que antigamente não se encontravam larvas em latas de tinta ou querosene, mas hoje já existem criadouros nesse tipo de ambiente.
Segundo Diana, entre os locais mais inusitados que acumulam água e onde a equipe de agentes de endemias encontrou focos de mosquito estão folhas secas de palmeiras ou coqueiros, que formam uma espécie de concha. Outros criadouros inusitados são cascas de coco, cascas de ovo, ocos das árvores, bromélias, poços de inspeção, baldes com água e sabão, brinquedos, placas de fachadas comerciais, bebedouros de animais e ralos e trilhos dos boxes do banheiro. "Todo local que acumula água pode se tornar um criadouro", alertou Diana. Ela apontou também que bambus usados como cercas também podem servir de reservatório de água.
Procurada pela reportagem, a CMTU informou que deve perfurar as hastes de placas de trânsito para evitar o acúmulo de água.
A diretora da 17ª Regional de Saúde de Londrina, Teresinha de Fátima Sanchez, aponta que outros pontos que podem esconder focos de mosquito são as galerias pluviais. "Muitas vezes a construção dessas galerias não é bem feita e há um desnível na junção que possibilita esse acúmulo de água", apontou.
Entre os locais públicos que acumulam água a reportagem encontrou aparelhos de academias ao ar livre, brinquedos de parques infantis e chafarizes. Na Praça Rocha Pombo, o pedreiro Avelino Rodrigues e o vigilante aposentado Antônio Gomes Miranda debatiam sobre os riscos dos chafarizes se tornarem criadouros de mosquitos. "Temos medo disso. O pernilongo se reproduz em tudo quanto é lugar que acumula água", afirmou Rodrigues. Miranda relembrou que hoje o pernilongo se reproduz até em água suja.
Até mesmo marquises oferecem riscos. O faturista Richard Pablo da Silva passava pelo centro quando observou que a marquise de um templo evangélico apresentava tanto acúmulo de água que escorria por uma infiltração. "Toda vez que chove acontece isso. Tem que ter uma fiscalização maior. Eu já tive dengue e sofri muito com as dores no corpo", cobrou.
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