DECLÍNIO - SUS perde quase mil leitos no Paraná
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domingo, 27 de outubro de 2013
Fábio Galão<br> Reportagem Local 
No último dia 15, o anúncio do fechamento de 94 leitos no Hospital de Clínicas (HC) da Universidade Federal do Paraná (UFPR), em Curitiba, o maior hospital público do Estado, causou grande repercussão. O fato, entretanto, é apenas a parte mais recente e visível de um processo que vem ocorrendo nos hospitais paranaenses nos últimos anos: o fechamento de leitos de internação e complementares disponibilizados no Sistema Único de Saúde (SUS).
De acordo com números coletados pela FOLHA no Cadastro Nacional dos Estabelecimentos de Saúde (CNES), mantido pelo Ministério da Saúde, em setembro de 2010 o Paraná tinha 22.608 leitos hospitalares de internação e complementares no SUS. Em setembro de 2013, a quantia havia caído para 21.657 unidades, ou 951 a menos. Nessa conta, não entram os 94 leitos fechados recentemente pelo HC as justificativas para o fechamento foram déficit de servidores e ajustes nas escalas decorrentes de decisão da Justiça do Trabalho.
Das 22 regionais de saúde do Paraná, em 15 houve redução de leitos do SUS nos últimos três anos: Metropolitana, Guarapuava, Foz do Iguaçu, Toledo, Cornélio Procópio, Irati, Telêmaco Borba, Campo Mourão, Umuarama, Maringá, Francisco Beltrão, Jacarezinho, Paranaguá, Pato Branco e Ivaiporã.
Benno Kreisel, presidente da Associação dos Hospitais do Paraná e vice-presidente da Federação Brasileira de Hospitais, aponta que a defasagem dos valores pagos pelo SUS tem gerado dificuldades para os estabelecimentos de saúde. No caso dos hospitais privados, segundo Kreisel, o credenciamento no sistema tem se mostrado cada vez menos vantajoso e a saúde suplementar vem ganhando força.
"A tabela (do SUS) tem sido reajustada abaixo da inflação. Hoje, nenhum hospital alcança 50% da sua receita com verbas do SUS", diz Kreisel. "Nos hospitais públicos, o Estado paga a conta. Nos filantrópicos, quando a conta não fecha, saem com o pires na mão pedindo ajuda. Já a iniciativa privada está fadada a sair do sistema público."
"Se você for ver os hospitais públicos que estão com leitos desativados, mas não fechados, o número (de leitos que não estão sendo utilizados) sobe", complementa Kreisel.
"O que nós temos falado sempre é sobre a falta de estrutura, principalmente em cidades pequenas, e o subfinanciamento da saúde pública. Há pouco dinheiro e ele é mal aplicado. O fechamento de leitos do SUS é reflexo disso", critica Mauricio Marcondes Ribas, presidente do Conselho Regional de Medicina do Paraná (CRM-PR).
Enquanto a disponibilidade de leitos hospitalares pelo SUS diminui, a população paranaense continua crescendo. Segundo estimativa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o número de habitantes do Paraná cresceu 5,3% entre 2010 e 2013.
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