Uma das comunidades terapêuticas credenciadas no Conselho Municipal sobre Álcool e Drogas em Londrina é a Credéquia, que atende 50 pacientes no município e outros 17 em São Sebastião da Amoreira. O diretor da entidade, Thiago de Oliveira Castro, contou que a comunidade foi fundada porque a família enfrentou com o irmão dele o sofrimento imposto pelo vício. "Na época, pagávamos R$ 3 mil para uma instituição de Santa Catarina. Depois que ele se recuperou, decidimos ajudar outras pessoas a terem atendimento gratuito", revela.
Defensor da abstinência como condição para superar o vício, ele espera que o marco regulatório traga reconhecimento para as comunidades. "Hoje, só somos procurados em último caso, quando nenhum outro tratamento deu certo. Se pegamos pessoas que estão no início do vício, o trabalho é mais fácil", afirma.
O maior desafio dos nove meses de tratamento sugeridos pelas comunidades terapêuticas é fazer o acolhido chegar até o final. "No último ano, 20 residentes chegaram ao fim dos noves meses. Só dois recaíram", conta.
A Credéquia não professa religiões, mas pratica duas atividades ecumênicas curtas durante o dia. Além disso, todos os funcionários – que possuem na história de vida a superação da dependência – participam de cursos de formação específica para o atendimento de dependentes químicos. "Os residentes se espelham em quem já venceu a dependência, isso funciona. Mas as pessoas precisam passar por qualificação", defende.
Castro denuncia que muitas entidades se autodenominam comunidades terapêuticas, mas praticam ações irregulares, como obrigar os residentes a trabalharem, inclusive para empresas de terceiros, ou exigir a profissão de uma fé religiosa específica. "Aqui não fazemos isso".
Ele abandonou um emprego de gerente em uma grande empresa para se dedicar à comunidade, que não tem fins lucrativos e, portanto, não gera renda. "Hoje vivo de prestar consultorias ambientais. Minha renda diminuiu, já tive vontade de desistir. Mas cada vez que um residente conclui o tratamento me sinto compensado."

Vagas

Em Londrina, as vagas ofertadas por comunidades terapêuticas são fiscalizadas pelo Conselho Municipal sobre Álcool e Drogas. Conforme Marilena Jordão, presidente da entidade, são 40 vagas mantidas com recursos da prefeitura e outras 60 que recebem recursos federais. Já o governo do Estado tem 40 instituições cadastradas, com oferta de 700 vagas em todo o Paraná.
Marilena destaca que atualmente Londrina tem dez comunidades cadastradas no conselho e que este número cresce ano a ano. Também recebem verbas municipais duas instituições que ofertam serviços ambulatoriais e o Núcleo Londrinense de Redução de Danos. "São instituições católicas, evangélicas e laicas", esclarece. Os recursos aportados para os serviços destinam R$ 800 mensais para as pessoas acolhidas, R$ 40 por atendimento ambulatorial e R$ 20 por cada atendimento em grupos de apoio. "Através da Câmara Municipal de Londrina, conseguimos este ano um aporte de R$ 200 mil na verba destinada aos atendimentos", comemora. (C.A)

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