'Debate não deve ser baseado em livros sagrados'
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sábado, 13 de abril de 2013
Marian Trigueiros <br> Reportagem Local 
É comum ouvir da população em geral que há a sensação de que o tema sobre os direitos e diversidade de gênero ganhou mais destaque nos últimos anos no Brasil, sobretudo no último mês. Declarações do deputado Marco Feliciano, acusado de homofobia por militantes, e o anúncio do casamento da cantora baiana Daniela Mercury com outra mulher deram ainda mais evidência ao assunto. Relações homoafetivas sempre existiram na história da humanidade, então, qual o motivo para o embate atual tão fervoroso entre aqueles que apoiam e os que são contra as causas gays?
A antropóloga Martha Ramírez-Gálvez, docente da Universidade Estadual de Londrina (UEL), especialista em estudos de gênero, afirma que os movimentos no Brasil vão de encontro ao que está acontecendo em todo o mundo. Essa manifestação é resultado dos movimentos sociais em geral que reivindicam, agora, cidadania de corpo inteiro. Não admitem mais que pessoas com orientação sexual diferente sejam consideradas cidadãos de segunda categoria. E isso causa o que um autor chama de pânico moral, pontua.
As transformações da sociedade, de acordo com ela, não acontecem de um dia para outro e é importante que o debate ocorra neste momento de várias manifestações. No entanto, a professora mostra sua preocupação em relação à forma como o assunto tem sido tratado pelas lideranças políticas que não se baseiam na Constituição, mas em livros sagrados. O Brasil e suas leis deve ser organizado como um país laico, sem interferência alguma de religião. Há muita desinformação de nossos legisladores, que estão colocando suas crenças em primeiro lugar em detrimento às mudanças e demandas sociais.
Aprovar uma lei, contudo, não é a solução de todos os entraves. Segundo a antropóloga, tratar a questão da legalidade da união homoafetiva é um passo para garantir os direitos, porém, ainda resta alcançar, por exemplo, o respeito à expressão de afeto em espaços públicos. As mudanças não ocorrem por decreto, mas por um processo de conscientização. Entretanto, quando as normas jurídicas acompanham as mudanças sociais, essa transformação tende a acontecer mais rapidamente, finaliza.
Semana das cores
Desde o ano de 2009, alguns cursos da UEL se organizam para promover a Festa das Cores ou Parada Gay do RU. Com o objetivo de discutir a temática gênero, diversidade sexual, autonomia sobre o corpo e violência, este ano, além da manifestação, a programação foi ampliada para mais dias, abrindo espaço a roda de conversas, exibição de documentários, discussões, exposições, perfomances e intervenções artísticas. O evento ocorreu durante toda a semana passada em vários espaços da instituição, envolvendo alunos e convidados.


