É comum ouvir da população em geral que há a sensação de que o tema sobre os direitos e diversidade de gênero ganhou mais destaque nos últimos anos no Brasil, sobretudo no último mês. Declarações do deputado Marco Feliciano, acusado de homofobia por militantes, e o anúncio do casamento da cantora baiana Daniela Mercury com outra mulher deram ainda mais evidência ao assunto. Relações homoafetivas sempre existiram na história da humanidade, então, qual o motivo para o embate atual tão fervoroso entre aqueles que apoiam e os que são contra as causas gays?
A antropóloga Martha Ramírez-Gálvez, docente da Universidade Estadual de Londrina (UEL), especialista em estudos de gênero, afirma que os movimentos no Brasil vão de encontro ao que está acontecendo em todo o mundo. ‘‘Essa manifestação é resultado dos movimentos sociais em geral que reivindicam, agora, cidadania de corpo inteiro. Não admitem mais que pessoas com orientação sexual diferente sejam consideradas cidadãos de segunda categoria. E isso causa o que um autor chama de pânico moral’’, pontua.
As transformações da sociedade, de acordo com ela, não acontecem de um dia para outro e é importante que o debate ocorra neste momento de várias manifestações. No entanto, a professora mostra sua preocupação em relação à forma como o assunto tem sido tratado pelas lideranças políticas que não se baseiam na Constituição, mas em livros sagrados. ‘‘O Brasil – e suas leis – deve ser organizado como um país laico, sem interferência alguma de religião. Há muita desinformação de nossos legisladores, que estão colocando suas crenças em primeiro lugar em detrimento às mudanças e demandas sociais.’’
Aprovar uma lei, contudo, não é a solução de todos os entraves. Segundo a antropóloga, tratar a questão da legalidade da união homoafetiva é um passo para garantir os direitos, porém, ainda resta alcançar, por exemplo, o respeito à expressão de afeto em espaços públicos. ‘‘As mudanças não ocorrem por decreto, mas por um processo de conscientização. Entretanto, quando as normas jurídicas acompanham as mudanças sociais, essa transformação tende a acontecer mais rapidamente’’, finaliza.

Semana das cores
Desde o ano de 2009, alguns cursos da UEL se organizam para promover a ‘‘Festa das Cores’’ ou ‘‘Parada Gay do RU’’. Com o objetivo de discutir a temática gênero, diversidade sexual, autonomia sobre o corpo e violência, este ano, além da manifestação, a programação foi ampliada para mais dias, abrindo espaço a roda de conversas, exibição de documentários, discussões, exposições, perfomances e intervenções artísticas. O evento ocorreu durante toda a semana passada em vários espaços da instituição, envolvendo alunos e convidados.

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