No Paraná, o estádio que sediou as partidas da Copa do Mundo de 1950 foi a Vila Capanema, que havia sido inaugurada três anos antes. Por ser muito novo, o Durival Britto e Silva era saudado como um dos melhores do País. Mas a capacidade do estádio na época, de aproximadamente 30 mil pessoas (reduzida hoje para 17 mil), seria insuficiente para atender aos padrões atuais da Fifa. Os dois jogos no estádio do extinto Ferroviário (hoje o local é administrado pelo Paraná Clube) somaram um público de 17.214 espectadores.
A moderna Arena da Baixada, o estádio de 2014, poderá receber 41.456 pessoas por jogo – será palco de quatro compromissos, todos na primeira fase, Irã x Nigéria (em 16 de junho), Honduras x Equador (dia 20), Austrália x Espanha (23) e Argélia x Rússia (26).
Como a estrutura de transportes era pior, em 1950 poucos se empolgavam para viajar para ver partidas da Copa. Em 2014, muitos vão aliar turismo com a experiência de ir ao estádio para acompanhar um jogo de Mundial. O estudante Rodrigo Honório Neves, 22 anos, de Londrina, vai ver a partida entre Costa do Marfim e Japão, na Arena Pernambuco, no dia 14 de junho. Vai estar acompanhado da namorada, do pai, da mãe e da irmã dela.
"Não consegui ingresso para outros jogos. Minha namorada é descendente de japoneses, então decidimos ver um jogo do Japão. Quem comprou foi o pai dela. Estava pensando em ir a alguma partida da Copa, mas achei que era muito concorrido, e estava desistindo. Mas o pai da minha namorada disse: ‘Vamos lá ver’", diz o estudante.
O grupo vai ficar em Porto de Galinhas por uns dias e depois vai para o Recife. É a primeira vez que Neves vai ver um jogo de Copa do Mundo. "Não gosto muito de futebol. Vou aos jogos do Londrina de vez em quando. Mas queria ver como é um jogo de Copa, como é o clima, como ficou o estádio", afirma Neves.
O advogado Marcelo Rocha Dias, 24 anos, de Londrina, vai ver Argélia x Rússia em Curitiba. Também será seu primeiro jogo de Copa do Mundo. "Não tinha conseguido adquirir ingressos por meio da compra oficial. Tinha ficado triste porque não conseguiria fazer parte desse momento, uma Copa no Brasil. Mas acabei comprando o ingresso de um amigo que não vai mais ao jogo. Mesmo sendo uma partida de dois times sem muita expressão. Queria participar da Copa de alguma forma", explica.
Dias até comprou uma camisa da seleção russa para ver o jogo. "Também vou usar um chapéu com o símbolo da União Soviética, que eu já tinha", afirma o advogado.
Para quem não vai ver as partidas no estádio, as opções aumentaram muito. Na Copa de 1950, a única alternativa era o rádio - a Copa só começaria a ser transmitida ao vivo pela TV brasileira a partir de 1970. Este ano, além de estações de rádio, haverá a transmissão por cinco emissoras, duas abertas e três fechadas, e pela internet, com imagens em alta definição.
Quem prefere acompanhar a transmissão em algum lugar público não vai precisar se acotovelar diante de um rádio com alto-falantes instalados na calçada. Bares estão preparando uma programação intensa para o Mundial, com telão e outras atrações. Em Londrina, além dos espaços tradicionais, um bar será inaugurado uma semana antes do Mundial: o Mansão Pub, na Avenida Madre Leônia Milito, em frente à boate Mansão Palhano. "Aceleramos as obras justamente para pegar o período da Copa do Mundo", diz Renan Massaro, um dos sócios do empreendimento.
Nas 12 cidades que serão sedes do Mundial, para quem não conseguiu ou não quis comprar ingressos, haverá também as Fan Fests da Fifa, espaços com telão para transmissão de todos os jogos da Copa e shows de música. Em Curitiba, a festa será na Pedreira Paulo Leminski.

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- Emoção dentro do campo

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