O advogado aposentado Rui Carneiro, 77 anos, pode bater no peito e dizer que viu um jogo de Copa do Mundo no Brasil, não apenas no estádio: ele viu a partida de dentro do campo. "Assisti a Espanha 3 x 1 Estados Unidos, no Durival Britto e Silva, em Curitiba. Morava nas Mercês, na Rua Padre Anchieta. Tinha 13 anos e estudava no Colégio Estadual do Paraná. Fazia aulas de educação física no Durival Britto. Eu ia a pé das Mercês até lá", conta.
A família de Carneiro é de Jaguariaíva (Campos Gerais) e morou por dois períodos em Curitiba. A segunda vez foi até 1951, quando se mudou para Londrina, de onde Carneiro não saiu mais. O advogado aposentado diz não se lembrar de como conseguiu entrar no gramado da Vila Capanema, mas afirma que, fanático por futebol, já era especialista em "varar" - gíria da época para entrar de penetra.
"Quis ver o jogo porque era uma coisa diferente. Imagine, era um caipira, em Curitiba, vendo o jogo de dentro do campo. Naquela época, não tinha essa frescura que tem hoje", explica.
Carneiro conta que, assim como em Londrina, os curitibanos se reuniam em torno de rádios instalados em bares na principal via da cidade – no caso da Capital, a Rua XV – para ouvir os jogos do Brasil. Curitiba tinha em 1950 pouco mais de 180 mil habitantes, cerca de 10 vezes menos do que possui atualmente.
"Ouvi a final no rádio da pensão onde eu morava, transmissão da Rádio Nacional. Depois, chorei como uma vaca", afirma. "O Brasil, naquela época, tinha um complexo de inferioridade. Antes da Copa, ninguém achava que a Seleção ia ser campeã, mas como o time começou a ganhar de seis, sete gols, todo mundo começou a acreditar".(F.G.)

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