Das cinzas para as realizações
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 03 de julho de 2003
Mariana Guerin<BR>Reportagem Local 
''A Integrada cresceu tanto e em tão pouco tempo, que já é responsável por 1% da produção nacional de grãos'', comemora o presidente da Cooperativa Agropecuária Integrada do Paraná, Carlos Murate. A empresa foi criada em dezembro de 1995 por 28 produtores rurais, que tinham como missão, conquistar a confiança de fornecedores e instituições financeiras para dar novo ânimo à agricultura paranaense. ''Com o fim da Coopercotia, ficamos sem saber o que fazer. Mas sonhávamos grande'', relembra Murate.
Durante a primeira reunião do conselho administrativo, foram definidas as estruturas que iriam compor as 27 filiais iniciais, o desenvolvimento das atividades nos núcleos de produtores, além da contratação de recursos humanos. ''Convidamos os antigos funcionários da Coopercotia, que tinham sido dispensados e também estavam enfrentando uma situação difícil. E cada região seria representada por dois produtores, que tinham a missão de divulgar as idéias da cooperativa e encontrar novos associados'', explica Murate.
Entretanto, a falta de patrimônio e capital de giro foi um agravante para os fundadores, que tiveram de empenhar bens pessoais para garantir o início das operações da cooperativa. ''No início, não tínhamos como garantir nada, então, demos o nosso aval pessoal para gerir as necessidades. Em função deste ato, fornecedores e entidades financeiras confiaram na equipe e ofereceram mais crédito para iniciarmos o funcionamento da cooperativa'', diz.
Já no primeiro ano, a Integrada contava com 1,2 mil cooperados e 721 funcionários, que trabalhavam nas 32 filiais da empresa. Neste mesmo ano, a empresa faturou R$ 97 milhões, valor que superou todas as expectativas dos fundadores. ''Foi um verdadeiro trabalho de equipe, reforçado pela confiança dos produtores e o apoio dos fornecedores'', diz o presidente.
Atualmente, o número de associados é superior a 3,2 mil e o quadro de funcionários já soma 1,2 mil. São 44 filiais divididas entre 14 núcleos regionais. A receita bruta passou de R$ 311 milhões, em 2001, para R$ 505 milhões. Para este ano é esperado movimento de R$ 660 milhões.
Dentre os produtos, a soja é o carro-chefe, mas também são plantados algodão, aveia, café, frutas, milho e trigo. Na última safra de verão, a Integrada, com volume recorde, recebeu mais de 374 mil toneladas de soja e mais de 164 mil toneladas de milho.
Segundo o Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria Estadual da Agricultura, alguns associados de Mauá da Serra produziram até 11 toneladas por hectare, frente à média nacional de 3 toneladas por hectare. Murate explica que o motivo desta supersafra são os grandes investimentos em pesquisa feitos pelos agricultores da região, que utilizam o sistema de rotação de culturas e exploram cinco safras em dois anos. ''Nesse sistema, é feita a rotação com as culturas de soja, milho, aveia, trigo e feijão'', diz.
Este ano, seis novas estruturas serão entregues aos cooperados, aumentando a capacidade de recebimento de grãos em 34,5 mil toneladas.
A cooperativa tem investido na industrialização. Adquiriu as indústrias de produção de fios de algodão e beneficiamento de milho, além da fábrica de rações. Outro projeto é o beneficiamento de sementes de soja, trigo e aveia.


