A dona de casa Renée Jorge Felipe Teixeira, de 85 anos, é praticamente uma exceção entre as mulheres de sua geração. Apesar da ausência de recursos para controle da natalidade, ela teve apenas uma filha, Maria Helena, 60 anos.

"Fiquei seis anos tentando engravidar, fiz até tratamento. Dois anos depois de parar de tomar remédios, engravidei. Mas não vieram outros filhos", conta Renée, que nunca teve permissão do pai para trabalhar fora. Maria Helena já pôde fazer um curso superior, mas o sonho de trabalhar só foi realizado depois do casamento e do nascimento da primeira filha. "Assim como minha mãe, casei muito nova, com 18 anos. Acho que a grande diferença para os dias de hoje é que as mulheres podem planejar por mais tempo a formação da família."

A filha mais velha de Maria Helena, a cirurgiã dentista Fabiana Teixeira Augusto Romano, 40 anos, reconhece que teve mais liberdade de escolhas que a mãe. O casamento veio só aos 29 anos e a primeira filha aos 31. "Pude investir primeiro na profissão." Fabiana é mãe de Rebeca, de 9 anos; Marcus Vinicius, de 5; e de Maria Fernanda, de um ano e meio.

A farmacêutica Rosângela Sperandio Chammé, 56 anos, também não se vê longe de sua profissão, e acredita que os ganhos para as mães nas últimas décadas foram maiores que as perdas. "O ser humano tem que se posicionar no mundo. Todas estas mudanças são muito positivas, desde que as relações sejam baseadas na cumplicidade e no respeito à autonomia de cada um. Não me vejo de outra forma hoje senão assim, administrando minha empresa, meu dinheiro." Rosângela tem um casal de filhos e há um ano vive a experiência de ser avó.

A farmacêutica avalia que entre sua geração e a de sua mãe exista "um oceano". Enquanto a matriarca parou de trabalhar fora após o casamento, suas quatro filhas cursaram faculdade e investiram na vida profissional. "Adquirimos a capacidade de enfrentamento. Antes nos mantínhamos meio escondidas à sombra da figura masculina. Minha geração já se posicionou ao lado deles. Acho que temos mais testosterona que as gerações passadas", brinca Rosângela. (S.L.)

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