Foi-se o tempo em que os pacientes iam ao consultório médico totalmente desinformados sobre os sintomas que sentiam e sem imaginar o que os acometia. Hoje, muitos chegam para a consulta convencidos de determinado diagnóstico, que 'descobriram' pesquisando na internet. Em alguns casos, sabem até qual medicamento terão que tomar, e vão ao médico com a intenção apenas de confirmar o que já têm na ponta da língua. É a chamada cybercondria, termo que define o hábito - cada vez mais comum - de navegar na internet à procura de informações sobre saúde ou cuidados médicos para si próprio ou para pessoas próximas.
O acesso às informações tem seus benefícios, mas muitos se esquecem que cada caso é um caso e que só o médico tem condições de fazer o diagnóstico correto. ''O grande problema é quando estes pacientes, baseados nas informações da internet, se automedicam. Quando administrado de forma errada, um medicamento pode mascarar uma doença, mudar a sua história natural, confundir, atrasar o diagnóstico e até agravar o quadro. Além disso, todo remédio tem efeitos colaterais, até os aparentemente banais'', lembra o infectologista e clínico geral André Luiz Bortoliero.
Ele exemplifica com os anti-inflamatórios, ingeridos indiscriminadamente por boa parte da população. ''Estas substâncias causam muitos efeitos, como aumento da pressão arterial, sangramento no estômago, insuficiência renal e alergias, mas muita gente não leva isso em consideração.'' De acordo com Bortoliero, o hábito de se automedicar é antigo. ''O que mudou é a maior predisposição para realizar exames, também por influência da internet.'' Outro avanço importante, segundo o médico, foi a proibição da venda indiscriminada de antibióticos, considerada por ele uma iniciativa louvável para conter a automedicação.
O infectologista revela que é cada dia mais comum pacientes que, ao final da consulta, aproveitam para pedir um remedinho para ''desestressar'' ou para dormir com mais facilidade. ''É claro que existem casos em que este tipo de medicamento é necessário, mas muitas vezes as pessoas querem usá-los por ser mais cômodo, não querem ter o trabalho de mudar seus hábitos e investir em mais qualidade de vida. Há casos em que o simples fato de praticar uma atividade física já melhora a qualidade do sono.'' (S.L.)

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