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No Paraná, adolescentes e jovens entre 15 e 29 anos têm a maior taxa de suicídio no período de 2013 a 2017, representando 25,5% das 3.510 mortes por lesão autoprovocada, segundo a Secretaria de Estado da Saúde. Curitiba é a cidade com maior número, 109 mortes nesta faixa etária; em seguida vêm Londrina (48) e Maringá (28).

De acordo com levantamento do Ministério da Saúde, a existência de Caps (Centro de Atenção Psicossocial) nos municípios reduz em 14% o risco de suicídio. "É um serviço que veio para desmistificar a questão da doença e da internação. O hospital psiquiátrico, muitas vezes, fica atrelado à loucura e muitos nem procuram o tratamento por conta desse estigma. O Caps tem estrutura mais aberta e flexível", explica Cláudia Denise Garcia, diretora de Serviços Complementares em Saúde, da Secretaria de Saúde de Londrina.

Foi no Caps que um pedreiro de 51 anos começou a ser atendido, mas depois de tanto tempo sofreu crise em 2014 e depois em 2016, sendo que a última o levou ao coma pela tentativa de suicídio. "Ele faz tratamento para depressão desde 2002 e ia sozinho, eu imaginava que (o problema) era por estresse, não sabia que era por depressão, ainda mais com risco de suicídio", afirma a esposa.

Após o primeiro episódio, ela ficou mais atenta e procurou ajuda para poder apoiá-lo no tratamento. "Quando ele passou a falar, foi importante. A gente não tem ideia do que eles estão pensando. Hoje em dia eu sei quando ele não está bem, então fico perguntando como ele está, converso para poder procurar a psicóloga ou psiquiatra. Ele passou a confiar na gente e falar o que acontece, o que é importante", revela.

De acordo com Garcia, a família também precisa de acompanhamento. "Ela adoece junto, sofre, então também precisa ser cuidada para compreender o sofrimento e saber lidar com a situação", afirma. Londrina possui três unidades de apoio, Caps-AD (dependência de álcool e drogas), Caps-i (atendimento infantil) e Caps 3 (livre demanda), onde também funciona o pronto-atendimento 24h, que só no primeiro semestre teve 5.200 registros.

"A última crise foi uma das mais difíceis, é muito cansativo para quem cuida, estamos tentando acertar a dosagem do medicamento. A família precisa apoiar para continuar com o tratamento, senão eles desistem, eles acham que não tem mais efeito e que não adianta, mas a conversa é importante. No caso dele, teria tentado de novo se a gente não tivesse conversado depois disso", conta a esposa.

Além do apoio familiar e de amigos, a rede de proteção também precisa acolher o paciente. "O nosso trabalho é que ele se sinta acolhido e bem recebido, entendendo o sofrimento, ninguém quer morrer, as pessoas querem não sofrer", afirma Garcia. "A família tem que saber que é uma doença, eu deixo tudo para ficar com ele. Foi importante para incentivá-lo a se abrir com a psicóloga", conta a dona de casa.

CVV
Robert Paris, presidente do CVV (Centro de Valorização da Vida), afirma que são registrados três milhões de contatos por ano e que a entidade criou um serviço via chat para atrair os jovens. "Cerca de 5% a 10% das pessoas atendidas manifestam intenção de suicídio. Na população de 15 a 29 anos, essa taxa chega a 50%", afirma.

Segundo Paris, o jovem fala fala mais abertamente sobre o assunto. "O problema é grave, estamos buscando voluntários cada vez mais jovens para atender". O CVV realiza apoio emocional e prevenção do suicídio a todas as pessoas que querem e precisam conversar, por meio do número 188, e-mail ou chat através do site: www.cvv.org.br (L.T.)

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