A bacharel em Direito Laís Canedo, de 24 anos, vai prestar o Exame de Ordem pela primeira vez e sentiu necessidade de fazer um cursinho preparatório específico para a prova.
''Tem que buscar um complemento, porque as matérias na faculdade são muito superficiais, não são suficientes. É um estudo muito amplo, não foca nos termos da prova. A faculdade não prepara para o Exame de Ordem'', critica.
Natalie Lopes Martins, de 21, vai tentar o exame pela terceira vez. Ela não acredita que os altos índices de reprovação sejam reflexo da má qualidade de ensino nas faculdades, mas sim resultado de um descompasso entre o que é ensinado nos cursos e o que é exigido na prova.
''Em cinco anos, você não vê tudo o que eles pedem. Não dá tempo'', explica a bacharel. ''A grade (de matérias) da faculdade que eu fiz é boa. A OAB está dificultando a prova. Está muito específica. A faculdade dá uma pincelada geral na grade.''
A advogada Priscila Luciene Santos de Lima, coordenadora do curso de Direito da Faculdade do Litoral Paranaense (FLP), de Guaratuba, diz que as faculdades têm dificuldades para encontrar professores de qualidade.
''Vejo um despreparo dos professores. Uma coisa é advogar, outra é lecionar. Temos dificuldade para encontrar professores qualificados. Pela concorrência na área de Direito, muitos vão para a docência. Mas a pessoa tem que ter dom para ensinar'', alega Priscila, que ressalta que o desempenho na faculdade e no Exame de Ordem também depende do ''interesse do aluno''.
O curso de Direito da FLP foi uma das oito faculdades paranaenses que não conseguiram nenhuma aprovação no penúltimo Exame de Ordem - 14 candidatos que estudaram na instituição fizeram a prova. Priscila afirma que no exame mais recente, cujos números definitivos por Estado e instituições de ensino ainda não foram consolidados pela OAB, cinco de 12 candidatos da FLP foram aprovados.
'Medida paliativa'
O Fórum das Entidades Representativas do Ensino Superior Particular apontou, em nota, que a eventual suspensão de vestibulares e de abertura de novos cursos ''é uma medida paliativa e que não resolve o problema nem dos cursos de Direito nem de qualquer outro''.
O fórum ponderou que o resultado do Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade), um dos principais componentes do Conselho Preliminar de Curso (CPC), não pode ser usado para avaliar um curso, ''já que o aluno não tem compromisso com o seu resultado'', e que o conceito preliminar é falho por não condizer ''com a real qualidade dos cursos'' e oferecer apenas resultados comparativos entre cursos, e não atestar se eles têm qualidade ou não.
''Ademais, faz-se necessário esclarecer que as instituições de ensino superior formam bacharéis em Direito de acordo com as diretrizes curriculares estabelecidas pelo Ministério da Educação, diferentemente da OAB, que seleciona profissionais para o mercado de trabalho por meio da prova da ordem. Portanto, trata-se de dois processos distintos'', apontou o fórum.

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